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cidades
rosas
innersmile
Um dos livros que eu ando a ler (devagar) é O Homem que Gostava de Cidades, de Manuel Graça Dias (aqui um artigo sobre o livro).
Uma das profissões que eu teria na minha "alternate life" seria a de arquitecto. A Arquitectura é uma das minhas disciplinas preferidas, e é, talvez, aquela que eu considero a arte das artes, dado que reune contributos de todas as outras (de umas mais obviamente do que de outras) e deixa gravada na paisagem alterada, a marca inconfundível do humano.
Para esta minha paixão pela Arquitectura pesa, também, o facto de eu gostar muito de cidades, de ser urbano, não naquele sentido depressivo-tribal do termo, mas apenas, mais prosaicamente, naquele de que só nas cidades me sinto livre, à vontade, dono e senhor da parcela minúscula do destino que me cabe decidir (e que é, claro, que filme vou ver, ou em que café vou entrar para beber uma bica). E a Arquitectura é (como diz Manuel Graça Dias no livro) do domínio das cidades.
O livro, uma colectânea das crónicas que Graça Dias lia na TSF, é entusiasmante. Não tanto por causa do humor (não me parece, ao contrário do que diz o artigo do link acima, que a ironia seja propriamente a arma usada; acredito que quando Graça Dias diz que prefere as marquises de periferia ao Éden restaurado, não está a ser irónico; é que nas marquises há uma sinceridade, uma honestidade, que está, de todo, ausente da infeliz fachada da ex-sala de cinema de Cassiano Branco), mas mais por causa do amor. Graça Dias professa um verdadeiro amor às cidades (Lisboa, claro, mas não só), e exalta nelas tudo o que que nelas é exaltante: a mistura do passado com o presente, os sinais da modernidade, a forte pressão do presente que pede para ser lido no futuro. Como ele diz (numa das minhas frases preferidas do livro), só se pode analisar o presente com os instrumentos do passado, só se é feliz em retrospectiva; ao contrário do que poderia parecer numa análise mais ligeira, o que esta frase nos diz é que só se pode construir o futuro com os instrumentos do presente, não se pode construir a posteridade. O tempo presente não é o lugar da tranquila contemplação, mas antes o da tensa conquista do futuro.
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Não, não percebo nada de arquitectura, mas falando de cidades, o sentimento que me desperta é semelhante ao que foi descrito. Como se entre rostos sem nome e no burburinho típico de uma ruela movimentada, tudo fizesse sentido, sem ter algum sentido visível. O rodopio que nos faz girar em torno do ambiente citadino, é único.

Vou procurar esse livro.

Claro, só que com tanto trabalho nestes próximos dois meses, só terei tempo para ler o livro lá para Março/Abril.

Tempo, tempo, não se pode comprar algum?

O livro é pequeno, tem apenas perto de 200 páginas. E como são textos curtos (as crónicas) vai-se lendo nos intervalos. Eu em vez de o ler todo de seguida, ando a ler aos bocadinhos, assim ando mais tempo com ele.

Só a morte acelerada de células cerebrais que não são repostas à mesmo velocidade, pode justificar que não te tenha posto na minha lista dos LJ's que ando sempre a bisbilhotar ;-) Vou já rectificar isso.

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