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ópra ela

Todos temos as nossas fraquezas, aquelas coisas razoavelmente embaraçosas que, para além de não querermos que os outros descubram, por vezes gostaríamos de nem nós próprios saber.
De manhã acendo sempre a televisão enquanto tomo o pequeno-almoço. O pretexto é ver as notícias, por isso sintonizo para o canal 5, na Sic Notícias. A verdade é que a maior parte das vezes acabo a ver o talk-show da Oprah Winfrey, que passa no canal ao lado, a Sic Mulher. Tenho de admitir que sou um bocado fã dos programas da Oprah, gosto do estilo, da pseudo-profundidade, do ar feliz dos convidados vedetas, de uma certa familiaridade («estive na casa do Arnold e da Maria», «ah, também lá costumo ir, não é fantástica?»), dos decoradores que transformam as casas das espectadoras e são sempre aquele tipo de homossexual muito atraente, com muito ginásio, muito dentista e muita cama bronzeadora. Só não gosto muito quando são aquelas histórias muito comovedoras, de crianças que praticaram actos heróicos, de famílias devastadas pelo álcool e pela droga que se tentam recompor, de homens que sofrem de casos graves de infidelidade e que pedem desculpa publicamente às esposas e às filhas. Das duas uma: ou fico comovido, o que não é bom logo às oito e meia da manhã, ou fico com vergonha de pertencer à raça humana, e ainda o dia mal começou para eu já me sentir assim.
No programa de hoje, de que só vi, como habitualmente, uns dez ou quinze minutos, normalmente o final, as convidadas eram a Dolly Parton, a Melissa Etheridge e a Shania Twian. Quando liguei, estavam a Dolly e a Melissa a cantarem em dueto uma das mais famosas canções da Parton, o I Will Always Love You.
Depois, a Dolly mostrou a sua habilidade que é fazer mexer as mamas só à força de poder muscular, e a Melissa falou do seu casamento com a Tammy. Descreveu o casamento (na minha opinião, e pela descrição, deve ter sido uma daquelas coisas um bocado pirosas mas cheias de sentimento, à californiana). Quando a Oprah perguntou à Dolly o que é que ela acha do casamento entre homossexuais, ela respondeu que é favor, porque se os homossexuais querem ter os mesmos direitos também têm de sofrer.
Finalmente a Shania cantou uma canção, e eu desliguei o televisor e fui trabalhar com aquela sensação de que o mundo é um lugar feliz.
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