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que olhar?
rosas
innersmile
Morreu há poucos dias o fotógrafo Eddie Adams, que ficou célebre por causa de uma fotografia que lhe valeu um prémio Pulitzer, em 1969. É uma fotografia muito conhecida, em que se vê um general sul-vietnamita a executar, com um tiro na cabeça, um guerrilheiro vietcong.
Eu não conhecia o nome do fotógrafo mas quando ouvi na rádio a notícia visualizei logo a fotografia. Mas foi mais tarde, a olhar para ela, que me ocorreu uma questão: como é que eu hei-de valorizar esta fotografia, confrontando-a com as imagens de horror que todas as quotidianas noites me entram pela casa dentro na rotina dos telejornais? Como valorizar essa fotografia, quando confrontada com as imagens de um grupo de terroristas mascarados que se preparam para degolar um homem ajoelhado e de olhos vendados? Como valorizar essa fotografia, quando confrontada com a imagem do olhar acossado de um menino de dez anos cujo rosto está a menos de cinquenta centímetros de uma bota militar que pisa uma bomba?
A verdade é que o meu olhar se prostituiu, habituou-se a tudo, olha com indiferença o horror enquanto a mão leva mais uma colher de sopa à boca. Qual é então a diferença entre essas imagens que o meu olhar prostituto olha com gasta secura, e essa fotografia premiada que esse meu olhar erige como símbolo de tudo o que na vida é insuportável absurdo?


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que foto é essa, amor? a do vietnamita?


Ganhamos um calo infeliz nos olhos, no corpo todo e lá dentro, na alma. Como não?
Enquanto se matam lá longe, matam-nos aos bocadinhos também.

esta
esse calo é muito infeliz sim

Não conhecia essa foto...
pois é amigo, pois é-

essa e a foto de 2 crianças vietnamitas a correr duma estrada depois de serem atingidas por napalm acho que são 2 fotos emblemáticas da Guerra do Vietname.

essa das crianças eu conheço...
**

Quando eu digo que deixei de ver os telejornais, gozam comigo e muitas vezes nem acreditam... mas deixei mesmo. Vi agora durante estes dias por causa das listas e voltei a perceber porque o tinha deixado de os ver.
Sei que não é por não saber que as coisas deixam de acontecer, mas choca-me tanta violência diariamente. Vou indo ao sapo lá espreito a tsf e pouco mais.
Não quero saber mesmo, não tenho vergonha de o dizer... não quero saber!!!

Sabes que foi pelo teu LJ que soube que o Reagan tinha morrido?

Fácil: a foto é excelente.

A ironia é que o homem que segurava a pistola tinha boas razões para fazer aquilo. Depois da queda do Vietname um horror enorme tomou conta do país, mas aí já ficou muita gente embaraçada. É tão triste a "realpolitik", fica tão mal nas reúniões sociais.

welcome to the real world poeta.
A mim, mais que essas fotos, faz-me arrepiar o barulho da porta de uma das arrecadações do jardim, de madrugada, onde uma mulher jovem, magra, desdentada e consumidora de drogas dorme alguns dias. E os homens e mulheres que dormem ao relento na Rua de Santa Catarina, embrulhados em cobertores e o meu filho a perguntar-me porque não têm casas. Habituámo-nos a ver o horror ao longe e faz-nos impressão. A mim magoa-me mais a indeferença de quem passa e não vê a realidade, mesmo pequenina como a nossa.

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