?

Log in

No account? Create an account

Previous Entry Share Next Entry
fado da defesa
rosas
innersmile
O cd que o Público traz hoje na colecção dedicada ao Fado encerra com uma jóia muito preciosa. É Maria Teresa de Noronha, a cantar um dos Fados mais bonitos que conheço, o Fado Tristeza, com música de José António Sabrosa e letra de António Calem. Já havia o fado lá em casa dos meus pais, mas em diferente gravação, ou cantado por outros fadistas. O que mais me fascinou nesta gravação que vem com o cd do Público foi o acompanhamento, uma guitarra muito estilhaçada, como se as cordas fossem de cristal e se pulverizassem a cada acorde. Infelizmente, uma das falhas desta colecção é não mencionar os músicos que acompanham; nalguns casos isso é mesmo uma falha muito grande, dado que o fado é tanto maior quanto mais rico for o acompanhamento. Além de que o fado ama-se, não sei se sobretudo, mas pelo menos muito, pelo lado da música, pelo lado da guitarra. Mas esta falta, apesar de irritante, não estraga uma colecção que tem revelado muita e boa música, e que tem uma História do Fado, da autoria de Rui Viera Nery, que é, julgo eu, a mais séria história do fado já ensaiada.
Apesar de não ser a versão incluída no cd, há neste link uma versão, igualmente cantada pela Maria Teresa de Noronha.
Aqui há dias, debatemos aqui no livejournal, numa entrada da petralee, qual seria a canção mais triste. Sendo o fado triste, embora nem sempre nem necessariamente, creio que este Fado Defesa, cantado pela Maria Teresa de Noronha, que tem na voz, não tanto aquele toque trágico da Amália, mas mais o travo doloroso da tristeza, seria um sério candidato ao título.

Lembras-te da nossa rua
Que hoje é minha e já foi tua
Talhada para nós dois
Foi aberta pela amizade
Construída com saudade
Para o amor morar depois

Mas um dia tu partiste
E o vento frio e triste
Varreu toda a primavera
E agora veio o outono
E as folhas ao abandono
Morreram à tua espera

Certas noites o luar
Traça o caminho no mar
Para chegares até mim
Mas é tão longa a viagem
Que só te vejo em miragem
Num sonho que não tem fim


~*~
Revi ontem O Cerejal, a produção da Escola da Noite, para a peça de Anton Chekhov, que já tinha visto em Junho, quando estreou. Tenho de confessar que o que sobretudo me fez regressar, sem prejuízo da encenação e das representações, foi o próprio texto, que, assim revisto, parece ainda mais subtil e poderoso do que a primeira vez. Li na net que Chekhov escreveu a peça, a sua última, para ser uma comédia, mas a verdade é que perpassa por toda aquela comédia, que tem inclusivamente uns toques de farsa, uma tristeza lancinante, uma tragédia tão pequena, mas tão profunda, como o prórpio destino (um pouco patético) das suas principais personagens.

~*~
Não ponho esperança em mais nada:

Trocamos quadras sem mal
Neste virtual escritório
Tu trazes o essencial
Eu prendo-me ao acessório


  • 1
; )

e um beijinho.

Margarida

Fado da Alegria

Ao subir aquela rua
avistei o meu amor
e a alegria que era sua
deixou-me a vida em flor.

Na sua boca um sorriso,
como se fosse a luz do sol,
encheu os meus olhos de riso
e de canto o rouxinol.

Já não tenho outro querer
que não seja olhar para ti
não conheço outro prazer
desde o dia em que te vi.

Margarida

À noite o fado é tristeza
mas quando o sol traz o dia
bebo em tua boca acesa
o Fado da Alegria

Também lá estive.
Por entre as árvores senti o teu olhar.
No calor ambiente, senti a brisa ao abanares o Programa.
No final procurei-te. Já tinhas ido.
O abraço, esse, só hoje.

  • 1