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concerto da madonna - parte III

A outra coisa deliciosa do concerto, foi a vaia monumental que o Santana Lopes levou. Nunca tinha presenciado uma coisa assim, e foi muito muito agradável.
Mas também quem o manda? Que raio é que faz o primeiro ministro de um país num concerto da Madonna? Que parolice provinciana. Quer dizer, se fosse o Cavaco ou o Soares até tinha piada, porque o lugar deles não era ali. Mas o Santana não tinha nada que lá ir, quer dizer, ir a um concerto de música pop não é propriamente a coisa que mais ajuda a conferir um certo ar de respeitabilidade a um primeiro-ministro que até há pouco tempo embarcava em cruzeiros com namoradas muito mais novas que ele e de lenço à cabeça (poder-se-á dizer que o Berlusconi também anda de lenço à cabeça... hello?, e desde quando o Berlusconi é um exemplo a seguir?) Quanto ao mais, ele só pôde lá ter ido porque gosta, ou seja, não me passa pela cabeça (com ou sem lenço) que houvesse a mais pequena réstia de ‘oficialidade’ naquilo, isso seria o verdadeiro absurdo, o nome de Portugal (quer dizer, o nome solene de Portugal, a exigir representatividade ao mais alto nível) não era para ali chamado.
E não vale argumentar que o Pedro e um cidadão como outro qualquer e que pode ir aos concertos que gosta. Não, não é um cidadão como outro qualquer. Se não, tinha ido (eventualmente, de lenço na cabeça) lá para baixo, para ao pé dos fãs. Mas a questão não é essa. É que ele é o primeiro-ministro, e ser primeiro-ministro de um país é, única e exclusivamente, servir o país e o povo. Por isso, se admite que o primeiro-ministro tenha alguns privilégios, para compensar o facto de estar sempre de serviço, de não ter, durante o mandato, vida pessoal própria.
Por isso eu digo que seria admissível o Cavaco ter ido a um concerto. Todos perceberíamos que ele tinha ido, não porque gostasse, mas porque lá teria achado que tinha de ir. Mas o Pedro não, não deva ter ido, não foi lá fazer nada (de útil para os portugueses, quero dizer), e por isso mereceu a assobiadela.
Bem, resta uma hipótese. Ele fez no Domingo, um discurso qualquer não sei onde, em que assumiu a defesa dos descamisados, dos pobres e dos infelizes, de verdadeira inspiração peronista. Talvez tenha ido, afinal, agradecer esse seu momento ‘Evita’.
Nós é que evitávamos ter de o aturar.
Tags: concertos
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