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concerto de Madonna - parte II

Outra coisa fabulosa na noite de ontem é que eu nunca tinha visto tantos gays na minha vida! E já estive algumas vezes em alguns lugares em que havia bastantes. Mas nunca tinha visto nada como ontem. Desde as bichas mais estridentes aos tipos mais discretos, passando pelas várias tribos homossexuais (sim, para quem não saiba, há muitos tipos diferentes de gays, por isso é que o símbolo é um arco-íris; quer dizer, não é nada por isso, mas agora até resultou bem): os fashion, os muscle marys, os betos do sapatinho de vela, os ursos, os rapazinhos, enfim, estavam lá todas. O centro comercial Vasco da Gama parecia um verdadeiro arraial, uma marcha do gay pride.
Isto para dizer o quê? Primeiro que e óbvio que a Madonna é o maior ícone gay, e percebe-se porquê. Ela além de ter feito mais pela libertação da mulher nos últimos 20 anos (sobretudo nos primeiros 10 desses 20) do que todos os feminismos, ao assumir duas coisas muito importantes: que uma mulher pode controlar a sua própria vida e a sua carreira profissional e ser ela dizer como é que é e como é que se faz, e que uma mulher pode falar de sexo em público, que esse não é um privilégio exclusivo dos homens. Para além disso, dizia, Madonna sempre deu visibilidade aos homossexuais: namorou com eles, rodeou-se deles quando precisava de chocar e abanar a opinião pública, falou neles, confiou na lealdade deles quando atravessou momentos mais difícies, pô-los a dançar nos videoclips. Além disso, Madonna reúne algumas daquelas caracteristicas comuns às mulheres que se transformam em ícones gays: é bonita, é forte, é determinada. É, em suma, uma fag hag, aquele tipo de mulheres que os homossexuais gostam de ter como amigas.
Em segundo lugar, para dizer também que dá um gozo bestial ver aquele pessoal todo a passear por ali, descomprometido, sem vergonha, sem disfarçar, sem medo. Não houve, pelo menos que eu tenha visto, más cenas, provocações, chatices. A gayzada estava linda e toda feliz por ir ver a Madonna deles e com uma espécie de orgulho (pride, lá está), tipo aquilo era assim uma coisa deles, os heteros é que eram os diferentes ali. Foi lindo. Sem dúvida o momento mais alegre que eu vi em Portugal.
Mesmo que, quando parei o carro numa área de serviço já na auto-estrada a caminho de casa, um grupo de casalinhos heteros ali na casa dos trinta e picos estivesse a comentar que o concerto estava cheio de ‘rabetas’. Soou um pouco desagradável. Mas logo a seguir parou um carro e saíram de lá mais 5 rabetas todos muito novinhos e muito bonitinhos. A área de serviço ficou logo mais alegre. Até porque estávamos em maioria!
Tags: concertos
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