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concerto de Madonna - parte I

Nunca tinha visto uma coisa assim, aquele palco, sempre a mudar e sempre a oferecer soluções surpreendentes, aquela noção de espectáculo, as coreografias. A cada canção mudava tudo, cada canção era encenada como se fosse um teledisco, nos momentos em que Madonna não estava em palco, para mudar de roupa, havia sempre coisas a acontecer, enfim, uma coisa exuberante e luxuosa.
E, no entanto...
Quando no ano passado os Rolling Stones vieram a Coimbra, disse-se muito que aquilo era um circo. Mas não, afinal aquilo ainda era rock’n’roll. Isto é que é o circo: teve trapezistas, skaters, tocadores de gaitas de foles, ginastas, uma banda de música e até uma cantora. Não me estou a queixar do espectáculo, do entertainment, de modo nenhum, um tipo está ali duas horas deliciado, a ser entretido, a deslumbrar-se com aquele feerismo todo que, em certos momentos, chega a ser mágico, e a embasbacar-se como é que tudo aquilo pode estar a ser feito ali no palco à nossa frente.
Mas um concerto de música, e, afinal, era (ainda) disso que se tratava, tem de ter uma coisa essencial: emoção. Ou seja, não pode ser só um deslumbramento para os olhos e para os sentido, tem de ser também um deslumbramento para o coração, tem de ficar registado no nosso álbum de emoções, de forma a que, muitos anos depois, a gente se lembre mais do que sentiu naquele dia do que propriamente do que aconteceu no palco.
Eu acho que mencionei aqui que quando foi o concerto do Robbie Williams o aspecto mais interessante, e aquilo que tornou esse concerto memorável, ou seja qualquer coisa de que a gente se lembra, foi que às tantas o RW se deixou daquelas rábulas de crooner e de o maior palhaço do mundo porque foi surpreendido pela reacção entusiástica do público e, a partir dessa altura, entregou-se todo, até rasgar. E foi isso que ficou, esse momento em que aquele tipo que é um profissionalão e que estava ali a fazer o negócio dele, se deixou emocionar e passou a ser verdadeiro, com ele e conosco.
Foi um pouco isso que faltou ontem à noite. A Madonna que muito provavelmente é a performer mais competente do show business actual, entrega-se toda ao espectáculo, com uma noção e sentido de performance fora de comum, mas entregou-se muito pouco ao público, entregou-se muito pouco àquilo que num concerto ainda é o essencial e fundamental: um artista a dar canções a quem gosta dele e de as ouvir.
Tags: concertos
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