miguel (innersmile) wrote,
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lhasa

Há artistas assim, parece que desaparecem, e em seu lugar fica apenas aquilo que nos dão. Lhasa é uma contadora de histórias, e o seu concerto (ontem à noite, no TAGV) fica na memória assim, como se tivesse sido passado à volta de um contador de histórias, que nos chega de uma terra misteriosa e longínqua, maravilha-nos e comove-nos e encanta-nos com as suas histórias, e parte ao final da noite, para um destino que nos é tão estranho como a sua origem. Cada canção parece existir por si, não é um recital, não é um desfiar de canções, é mesmo um ‘era uma vez’ que se encadeia em outro ‘era uma vez’. Acaba uma história e começará outra.

Mas enquanto esta história dura, enquanto não chega a vez da próxima, só ela existe, só ela faz sentido. Tudo à volta perde importância e nitidez. Agora estamos presos a esta narrativa, é por ela que perpassam as nossas vidas, é nela que procuramos os sentidos ocultos, as pistas, os vislumbres, o primeiro traço da alvorada.

Por isso, há sempre uma certa tristeza, uma nostalgia. Quando esta história começa, sabemos que vai acabar, sabemos que é menos um dos mistérios que ainda estão guardados para nossa surpresa e encantamento.
Que as pessoas do lado de cá do palco estivessem em êxtase, rendidas e apaixonadas, só contribuiu para tornar este um dos concertos mais especiais a que já assisti.
Tags: concertos, lhasa
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