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esperando
rosas
innersmile


Cada vez que olho para o gato comovo-me com a sua inocência, com a sua inconsciência do futuro, com o facto de ele não sofrer a angústia de saber que daqui a uns dias, estaremos separados mais uma vez.

Acho que essa ignorância faz dele um infeliz, alguém que não sabe o que está prestes a acontecer-lhe. Mas também sinto uma certa inveja dessa leveza de ser, que advém de não sabermos o que nos espera. Sinto inveja? Não sei, ou melhor, não sinto. Não me angustiar com o que me espera, não faz parte daquilo de que sou capaz.

Fui almoçar à livraria. Encontrei por acaso, e comprei de imediato, uma edição hardcover (da Penguin) do livro Walk Through Walls: A Memoir, da autoria da artista e performer Marina Abramovic.

Comecei logo a ler o primeiro capítulo, sobre a infância e a juventude de Abramovic em Belgrado, a capital da então Jugoslávia. Foi estranho. Esta leitura encheu-me de uma exaltante vontade de liberdade, muito contraditória com o meu estado de espírito. Uma contradição insanável, entre a presente falta de perspectivas e um intenso impulso criativo. Ou entre uma vontade de ir para casa, para junto do gato, um lugar onde sempre me senti livre, e a consciência de que voltar para casa é sempre um regresso à asfixiante situação actual.

Por momentos, vagos e subconscientes, tive a impressão de que estaria safo enquanto me mantivesse ali na livraria, a ler o livro da Marina Abramovic.