vai correr tudo bem
rosas
innersmile


Como referi anteriormente, é impossível não experimentar um sentimento de identificação com muitas das coisas de que Pedro Rolo Duarte fala, no seu livro Não Respire, escrito durante o último ano de vida do jornalista, quando estava doente, vítima de cancro.

Precisava de mostrar este trecho que aqui ponho, a todas as pessoas que me dizem que “vai tudo correr bem”, como se isso servisse de algum consolo.

Porque uma coisa é desejar que corra tudo bem, expressar solidariedade ou preocupação. Outra é esse falso optimismo do “vai tudo correr bem”, que soa, pelo menos para quem ouve, como uma saída fácil para a conversa, uma maneira airosa de pôr fim a um incómodo. Do género “não te preocupes que vai correr tudo bem, e agora vamos falar de outra coisa”.

Como refere o PRD, as coisas vão correr como tiverem de correr, o resultado vai ser o que for, e não é por sermos ligeiros e optimistas que a situação se resolve.

Esta expressão é particularmente irritante quando andamos há muito tempo a debatermo-nos com a doença, e as coisas, de facto, não têm corrido bem, nada bem mesmo. Confesso que quando a oiço, e estou particularmente em baixo, a única coisa que me apetece fazer é esbofetear quem a diz. Como não o posso fazer, e se tenho uma certa relação de confiança com a pessoa, já tenho respondido que se fosse com ela iria correr bem de certeza, agora como é comigo, continuo na mesma, receoso e preocupado.

É como quando me dizem ”vais ver que isso não é nada”. Normalmente respondo logo que “não era nada se fosse contigo, agora como é comigo, é uma grande merda”! Caramba, já basta o que basta, tenho direito a ser um bocado bruto, para quem fala comigo sem fazer o mínimo esforço para tentar perceber aquilo por que estou a passar.

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