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ready player one
rosas
innersmile
Ready Player One faz lembrar o melhor que Steven Spielberg fez no campo do cinema de aventuras, em especial em finais dos anos 70 e no anos 80, desde logo porque recupera o espírito de pura aventura desses tempos, em que o próprio plot do filme nos oferecia a leitura de que a aventura, e por decorrência o cinema desse género, nos oferecem a possibilidade de escapar das nossas vidas medianas e complicadas, quando a família ia perdendo o estatuto de lugar de refúgio e harmonia do ser humano.

Mas RPO não só recupera por inteiro esse espírito e esse tom, como o faz ambientando o filme a um universo de referências da cultura pop dessa época, da música ao próprio cinema, com destaque para o mundo dos jogos electrónicos que começou a ser criado e a crescer precisamente nessa época. Alguns desses jogos iniciais são mesmo a chave que desvenda os passos decisivos desta aventura.

Mas se Spielberg pretende recuperar um certo conceito de cinema de aventuras (precisamente aquele que ele próprio ajudou a criar, três ou quatro décadas atrás), RPO, ao investir-se quase completamente no ambiente vertiginoso da realidade virtual, perde, por outro lado, uma característica essencial desse cinema, e que era o seu lado humano. Com efeito, em RPO os avatares do jogo sobrepõem-se quase inteiramente aos personagens do filme, e um filme sem personagens desenvolvidas e credíveis corre sempre o risco de se transformar menos numa narrativa e mais… num jogo de computador.

Outra coisa que se perde dos filmes desses gloriosos tempos do aparecimento do moderno cinema de aventuras, é um certo carácter artesanal (o cartão pintado e a cola) dos efeitos especiais, que vivia sobretudo da habilidade da câmara e do plano. Claro que agora o jogo (trocadilho intencional) é outro, mas nem por isso há razões de queixa: como sempre acontece nos filmes de Spielberg, nunca os efeitos especiais são a atração principal, antes estão sempre submetidos à lógica e ao desenvolvimento da narrativa. Aliás, eu vi o filme em versão 2D e um tipo fica ali cheiinho de vontade de ver aquela vertigem toda em 3D.