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cada dia
rosas
innersmile
No sábado passado, fiz anos, 56. Começo a sentir cada ano que completo como uma conquista. Esteve um lindo dia de sol e céu azul, e eu fui almoçar com a minha tia, comer um belo de um caril à goesa, o meu preferido. Passei o dia bem disposto, animado.

Confesso que fico um bocadinho chocado quando falo com algumas pessoas e elas parecem não valorizar os problemas de saúde que tenho, e que são cada vez maiores, e acham que há aqui uma componente de medo ou depressão. Faço um grande esforço para manter a cabeça à tona da água, para não me desesperar, para não pensar muito no futuro e naquilo que eu posso esperar dele, em termos de saúde. Continuo a trabalhar, apesar de na maior parte dos dias isso me deixar exausto, mas o trabalho dá um certo sentido de normalidade à minha vida, obriga-me a sair dos meus problemas e das minhas angústias.

Acho que tento seriamente não ser um “drama queen”, sempre centrado nos seus problemas de saúde e que não fala de outras coisas. Mas tenho receio de que me esteja a tornar cada vez mais naquele tipo de gajo que a gente vê ao fundo da rua e passa cautelosamente para o outro passeio e a quem acenamos vivamente com a mão mas sem nos atrevermos a parar. Um chato. O tipo de pessoa a quem perguntamos um simples “estás bom?” e nos arriscamos a estar meia-hora a ouvi-lo despejar o processo clínico.

Por estes dias, nasceu um bebé, com 28 semanas e pouco mais de 1 quilo de peso. No meio de um pesadelo arrepiante, feito de dúvidas e contradições, o bébé resolveu sair cá para fora, espontaneamente, à procura das melhores condições de viabilidade. O futuro para ele ainda permanece uma grande incógnita, mas ele cá está, a lutar tenazmente por cada dia. Como todos nós, afinal. Neste momento, este bebé é o meu herói, tento, humildemente, aprender com ele.