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de passagem
rosas
innersmile
Voltou a ser uma noite de sonhos consecutivos. Num deles, estava a jantar naquilo que suponho era a casa dos meus pais, mas que não correspondia à que de facto foi a sua casa. A mesa era grande e quadrada, eu estava sentado de frente para o televisor, que era a preto e branco, a minha mãe estava à minha direita, o meu pai à minha frente (de costas para a tv, o que era uma incongruência, ele sentava-se sempre de frente para a tv), e, à minha esquerda, estava o meu irmão, muito jovem, tão novo como já só o recordo por fotografias, não tenho nenhuma memória viva do meu irmão assim tão novo. Mas o meu irmão estava de passagem, depois do jantar ia regressar ao sítio dele, que não sei qual era. Esta circunstância faz sentido, sempre me lembro, na minha infância, do meu irmão estar de passagem, nunca foi uma presença constante. O meu pai estava sempre a levantar-se e, a certa altura, foi pôr uma panela com água a ferver para fazer chá, num fogareiro portátil, em frente a uma janela aberta por onde brilhava o sol, no lugar onde antes estava a tv a preto e branco. Estávamos a comer restos do almoço, tagliatelles com carne picada e arroz branco. O meu irmão estava a comer à pressa para se ir embora, eu e a minha mãe conversávamos não faço ideia sobre que assunto. Às tantas eu deitei a cabeça na mesa e desatei a chorar, a gritar que não queria ser operado nem ir a uma consulta para ouvir uma segunda opinião.
Acordei, eram seis e pouco da manhã. O gato sentiu-me acordar e imediatamente saltou para cima da cama, ao lado da almofada, a lamber-me as mãos.