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paula rego, histórias e segredos
rosas
innersmile
Vi a semana passada, em dvd, o filme Paula Rego, Histórias e Segredos, realizado por Nick Willing, filho da pintora. Tenho de começar por dizer que as artes plásticas, de uma forma geral, não me convocam de forma inapelável. Nunca me “eduquei” como deve ser e por isso, na maior parte dos casos, olho para as artes plásticas com alguma indiferença emocional (há excepções, claro, estou a pensar, assim de repente, nas esculturas de Rui Chafes, nas fotografias de Duane Michals, ou nos quadros de David Hockney).

E confesso que nunca tinha prestado grande atenção ao trabalho da Paula Rego, até ver este filme de Nick Willing, que despertou em mim a vontade de me pôr a olhar, infinita e fascinantemente, para os quadros. Percebe-se como a vida da artista está contada nas suas pinturas, como ela, de facto, se escondeu toda a vida revelando-se e expondo-se no seu trabalho.

O filme ensinou-me a “ler” as histórias que os quadros contêm. Não as histórias da própria Paula Rego, a história por detrás dos quadros por assim dizer, mas o perceber o seu potencial narrativo, como os quadros escondem e revelam histórias e segredos, precisamente da mesma maneira como um escritor usa a sua biografia para se esconder nas narrativas que cria. Não me quero comparar, é claro, mas é isso que eu procuro sempre fazer naquilo que escrevo, uma história onde esteja o pedaço da minha vida que eu preciso de resolver, mas de uma maneira que aquilo já não seja a minha vida mas a de quem está a ler.
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