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antónio zambujo
rosas
innersmile
No sábado à noite, concerto de António Zambujo no auditório do Convento de São Francisco, para apresentar a música de Até Pensei Que Fosse Minha, a disco dedicado às canções de Chico Buarque.

Apresentação irrepreensível, com um naipe de cinco músicos excelentes: Marcello Gonçalves, genial executante de guitarra de sete cordas e director musical do projecto, Bernardo Couto na guitarra portuguesa, José Miguel Conde no clarinete, João Moreira no trompete e Ricardo Cruz no contrabaixo, e que foi, se não estou em erro, um dos produtores do disco, em conjunto com Marcello. A propósito, tenho ideia de que uma das canções do disco ficou de fora (Sem Fantasia) e entraram para o alinhamento do concerto outras que não fazem parte do álbum, estou a lembrar-me de Tatuagem e de Terezinha.

Zambujo está, como se sabe, num excelente momento de forma, com um domínio total do seu instrumento, e, neste concerto, coloca a sua voz e o seu saber completamente ao serviço das canções.
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gilgamesh, our young man
rosas
innersmile


Aproveitei o fim de semana para ler o Gilgamesh, um poema narrativo de origem suméria, que li com tradução do poeta Pedro Tamen.

Como todas as narrativas fundadoras, o Gilgamesh contém simultaneamente uma “versão” (ou uma explicação, conforme se prefira) da criação do mundo, quer dizer da criação do homem, e uma enumeração, quase como fosse uma listagem, daquilo que é essencial na aventura humana.

E por aventura não me refiro apenas ao caminho que o homem tem percorrido desde que ganhou consciência para se questionar acerca da razão da sua existência, mas ao próprio conceito de narrativa de aventuras, de epopeia, de romance de acção.

E como de certo modo está destinado a que aconteça quando lemos este tipo de narrativas, também a leitura do Gilgamesh parece que nos põe muito próximo de algo que é essencial, daquilo que nos liga directamente ao que era o mundo mental do nosso companheiro homem de vários milénios antes de Cristo. Com o Gilgamesh voltamos a sentir, de forma muito literária e mesmo literal, aquilo que de certo modo sentimos quando olhamos as estrelas todas as noites: tentar perceber alguma coisa.



Antes do Gilgamesh, tinha lido, no kindle e em inglês, o mais recente romance de Edmund White, Our Young Man. Com este livro, diz-me o Goodreads, o Edmund White é, juntamente com o Saramago, um dos escritores de quem li mais livros: 16.

Our Young Man conta a história de um modelo francês, que vive em Nova Iorque, e que vinga no exigente mercado da moda, durante os anos 70 e 80, evoluindo a narrativa ao longo dos seus quatro ou cinco amantes/namorados. O livro é, por um lado, um exercício sobre o poder da beleza física e da juventude, mas serve ao autor, de igual forma, como exercício sobre os modos de vida gay na época em que aparece a epidemia da sida.

De certo modo, é inevitável perguntarmo-nos se o White precisava de escrever este livro, se ele vem trazer alguma coisa de novo ao universo narrativo do autor. Mas, por outro lado, o prazer da escrita de White mantém-se incólume, a elegância do toque, o sentido de humor de uma ironia tão irresistível quanto perigosa, o confronto com as matérias mais íntimas, o gosto pelo mundano e pelo gossip que, no autor, convive na mesma frase com a erudição e a atenção obsessiva à natureza humana.

E postas as coisas assim, mesmo sem se revelarem experiências de descoberta e inovação, continuarei a ler os romances de Edmund White, enquanto ele tiver paciência e fulgor para os ir escrevendo.