March 12th, 2017

rosas

o que você quer saber de verdade

Ao contrário do que acontece com outros nomes da música popular brasileira, a minha relação com a música da Marisa Monte sempre foi um pouco esporádica e até desatenta. Só tenho um disco seu, o Barulhinho Bom, e de certo modo conheço melhor os seus trabalhos com os Tribalistas do que os discos a solo. Fico a perder, claro, porque a Marisa Monte é uma extraordinária artista: o seu timbre é único e distintivo, é arrojada nas propostas musicais, e é, sobretudo, uma grande criadora de canções pop perfeitas, como são, de resto, as que tem escrito em parceria com o Arnaldo Antunes, com ou sem a participação de outros músicos, como o Carlinhos Brown.

Por estes dias tenho ouvido muito o seu disco de 2011, O Que Você Quer Saber De Verdade, descobrindo-o quase faixa a faixa, nomeadamente enquanto conduzo, que é uma das minhas formas preferidas de “absorver” a música. E se este disco está repleto de belíssimas canções pop, desde a sua composição até aos arranjos. Tudo é bom.

Talvez já aqui tenha escrito que uma das razões porque gosto tanto de música pop, é porque ela desperta uma adesão emocional muito directa. Às vezes até digo que tudo o que é importante na vida vem definido com clareza nos breves três minutos de uma canção pop. Nada traduz tão bem a alegria e a excitação que sentimos quando estamos apaixonados, e parece que todas as canções felizes falam de nós. Por outro lado nada como a chamada ‘música de dor de corno’ traduz tão bem o que verdadeiramente nos vai na alma quando perdemos um grande amor (ou mesmo até só um médio ou um pequeno amor…)

Entre as canções do disco da Marisa Monte, há duas que narram na perfeição uma história de amor, a nona e a terceira do alinhamento. Podem ouvir-se como se fossem os dois capítulos da história, ou dois andamentos: o primeiro, Ainda Bem, e o segundo, Depois. No curto período de 3+3 minutos, podem assim perceber-se os meses, ou os estados de alma que os dominaram, que durou uma história de amor bonita: a sedução, o namoro e por fim o abandono. Nem é preciso escrevê-la, basta ouvi-la nas canções. Pop. Perfeitas.

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