February 25th, 2017

rosas

manchester by the sea

No final do filme, apetecia-me voltar a ver Manchester By The Sea. Há qualquer coisa de sortilégio, uma espécie de fascínio, que nos agarra e prende, na imensa tristeza do filme de Kenneth Lonergan. Seja o embalo melancólico do Adagio de Albinoni, seja o apelo excruciante do Messias de Haendel. Ou então é só o abismo sem fundo que devora por dentro a alma e o corpo de Lee Chandler. Ou então é como se a tristeza de Lee nos oferecesse consolo por todo o sofrimento e todo o desespero que não conseguimos trazer à superfície das palavras.

Lembrei-me de que tinha visto uma peça no West End de Londres com o Casey Affleck. As vantagens de ter um diário online muito antigo, é que fui à procura nos arquivos do innersmile, e de facto em abril de 2002 vi uma peça escrita precisamente pelo Kenneth Lonergan, This is Our Youth, e que além do Affleck era ainda com o Matt Damon (que é um dos produtores de Manchester…) e a Summer Phoenix.

O filme é irrepreensivelmente escrito, e escrito para cinema, é uma história para ser contada por imagens. Tem uma fotografia lindíssima, e uma banda sonora muito boa. Para além do Casey Affleck, um outro actor raro, o Kyle Chandler, a Michelle Williams, e um actor de quem eu gostava muito e que há anos não via no cinema, o Matthew Broderick.