January 20th, 2017

rosas

obrigado por perguntar

Só quem já teve uma doença má, daquelas que comprometem a nossa mais elementar condição de seres viventes, é capaz de compreender, por um lado, a dimensão do medo e da ansiedade que sentimos antes de nos submetermos a exames de follow up, e, por outro, a enorme sensação de alívio quando o resultado desses exames é bom.

A ansiedade anterior ao exame é uma coisa poderosa, um vórtice, uma vertigem negra que nos suga todas as energias nessa tarefa simples de tentar continuar a respirar como se tudo estivesse normal, um lugar de uma solidão absoluta, em que tudo é relativizado, onde não se conseguem fazer planos nem para o fim de semana seguinte, pois não há perspectiva temporal que seja capaz de resistir ao dia em que o exame está marcado.

Quando saímos do exame e tudo correu bem, quando temos acesso ao resultado e ele é favorável, sentimos um alívio que mais do que psicológico, é mesmo físico, como se de súbito nos libertássemos de um peso que nos atrofiava e subjugava. Uma sensação de grande alegria, que nos leva a querer partilhá-la com toda a gente com que nos cruzamos, com os técnicos que nos fizeram o exame, com a secretária clínica, com as pessoas com quem partilhamos a viagem de elevador até à saída.

É impressionante como a nossa perspectiva da vida e do mundo muda num período de quinze ou vinte minutos, entre o momento em que entrámos e aquele em que saímos de um gabinete médico num longo corredor de hospital. Não há cá merdas nem grandes teorias: entras lá para dentro borradinho de medo, sais a sentires-te “king of the world”.

E eu sei, porque ontem foi mais um desses dias.
rosas

mas liberdade

Adoro esta canção do Edu Lobo, que nunca foi cantada como foi pela Elis, e, imho, nunca como nesta gravação no festival de Montreux, a minha preferida.

E aqui fica hoje à maneira de Bye-bye Obama. Não sei se foi o meu Potus preferido (fui um Clinton boy), mas foi seguramente o mais interessante, inspirador e excitante dos Potus do meu tempo.
E acho (temo será mais o termo) que vai ser recordado com saudade.

"Valentia, posso emprestar, mas Liberdade só posso esperar"