November 14th, 2016

rosas

leva-me aos fados

Nos últimos três meses tenho andado muito centrado em mim, na minha sobrevivência física, e também, muito, a tentar sobreviver ao desânimo e à incerteza. Lembro-me muito de ti, é claro, mas são sobretudo evocações de aflição, de medo, da falta que me fazes para me dares tranquilidade e confiança.

Mas este fim de semana regressaste de rompante à minha vida, voltaste a estar presente nas pequenas coisas, nas conversas, as que eu tenho com os outros e as que gostaria de ter contigo. No sábado pensei muito em ti, no tempo que já passou, de como de certa maneira os acontecimentos dos últimos meses me afastaram de ti, daquela presença quotidiana que eu continuei sempre a sentir depois de março do ano passado. Voltei a pensar no que foram os últimos tempos em que estivemos juntos, na tua casa, de quando foram as últimas vezes que saímos, e como foram dolorosos os últimos dois meses, como serão sempre uma ferida a arder, uma dor que não se apazigua.

Ontem estive a ver na TV um programa de fado, e passei o tempo quase todo a pensar em ti, a comentar mentalmente contigo o desenrolar do programa. Creio que a última vez que saímos juntos para ver um espectáculo, foi precisamente para irmos para fora da cidade, assistir a um concerto desta fadista. Houve muitas passagens do programa que me apeteceu comentar contigo, em que senti a dor intensa de querer falar contigo e não poder, de te fazer perguntas, de confirmar pormenores subtis do programa, de partilhar o prazer de ouvir a guitarra.