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primeiro dia
rosas
innersmile


É um pouco estranho voltar a fazer as coisas “normais”. Aquelas coisas que nos davam prazer, e que fazíamos com a confiança abstracta de quem repete gestos essenciais. É estranho voltar ao cinema. É muito estranho voltar à piscina. Estar na água, nadar, era uma coisa que dava uma certa sensação de “empowerment”, uma recarga de auto-estima, um boost de confiança física. Agora há uma espécie de fragilidade, quase um medo. Não é bem o receio de não ser capaz, é mais o medo de que o que nos rodeia nos pode magoar, de que estamos vulneráveis, seja ao que for, a tudo, ao ar, à água, aos outros.

Entrar na água devagarinho. Experimentar. Respirar: inspirar pela boca, expirar pelo nariz. Empurrar os pés contra a parede, ensaiar a braçada, é isto, testar as pernas. Perceber, aos poucos, que está quase tudo intacto. Pelo menos o essencial. A sensação de liberdade, de fluidez, de comunhão com o elemento, a naturalidade do movimento, a ausência de resistência, de atrito, de peso, o prazer do ritmo, a tentação da velocidade.

Em pouco mais de trinta minutos, nadei seiscentos metros. Metade do que costumava nadar em quase tanto tempo. Mas é bom voltar a experimentar a sensação de bem-estar, depois de sair da piscina. E é sobretudo bom ter a sensação de que estamos apenas no primeiro dia.