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a neblina do passado
rosas
innersmile


Foi uma leitura acidentada, a deste meu primeiro livro de Leonardo Padura. O início foi fulgurante, e li pouco mais da primeira metade do livro verdadeiramente assombrado pelo profundo, mas fascinante, desencanto do personagem Mario Conde, e também pelo poder encantatório de uma canção, de um bolero.

Depois o mundo desabou e o livro ficou esquecido cá em casa, a fazer companhia ao gato. Quando voltei, olhei para ele a achar que não iria conseguir regressar, e não apenas pela falta de óculos adequados. O negrume e a acidez da prosa estavam totalmente contra-indicados para o meu frágil balanço emocional. Mas aos poucos retomei a leitura, e o desenlace foi novamente lido em estado de certa exaltação.

Uma atmosfera densa que serve o que é simultaneamente um romance histórico e um romance policial: uma história passada no tempo da revolução, uma das pequenas histórias caídas na poeira do esquecimento no tropel da revolução, e um crime cometido na actualidade que remete para uma morte misteriosa ocorrida nesse ano longínquo de 1960. Uma personagem de um desencanto fascinante, e um olhar político e social duro, duríssimo, sobre os caminhos da Cuba castrista. Em fundo, sempre, a irresistível e perigosa melodia de um bolero.