June 21st, 2016

rosas

granta, regresso ao paraíso



Mais um belo número da edição portuguesa da revista Granta. Como já é habitual, gostei mais dos textos traduzidos, já previamente publicados em outras edições internacionais da revista.

De todos eles: Mathias Énard (um murro no estômago, uma daquelas histórias, e personagens, que nos agarram de forma intensa e transgressora), Julian Barnes (um olhar muito divertido sobre o mundo do xadrez de competição, em que a ironia e o humor se disfarçam de circunspecção), Joseph O'Neill, Pico Iyes (a minha primeira leitura deste autor, que há muito procurava conhecer), Alan Hollinghurst, um pouco menos o de Harold Pinter.

Entre os textos originais em língua portuguesa, o meu preferido foi o de Tiago Rodrigues, talvez, de todos os publicados, o que faz melhor jus ao tema desta edição; também gostei do conto da Teresa Veiga e da memória de Filipa Melo. Quanto aos restantes, li com pouca atenção e houve mesmo dois que não terminei.



Comprei o Regresso ao Paraíso quando fui a Cabo Verde, em março passado, aproveitando a ocasião para ler uma obra da literatura daquele país, e conhecer a escrita de Germano Almeida. Mas na altura estava a ler outro livro, e entretanto só agora é que o consegui ler.

Que maravilha, gostei imenso. Apesar de se apresentar como um romance, o livro repousa quase inteiramente numa torrente de lembranças e memórias relacionadas com a ilha da Boa Vista ao tempo de infância e juventude do narrador.

Há um lado mais descritivo, que tem a ver com os usos e costumes vigentes, mas depois estão sempre a surgir pequenas narrativas, histórias de pessoas, de amores, da diáspora, de pequenos ou grandes acontecimentos, anedotas familiares. Muito humor e ironia, mas também um olhar terno e de admiração sobre a terra e as suas gentes.