May 30th, 2016

rosas

love is strange

Gostei muito de Love is Strange, de Ira Sachs, com John Lihtgow e Alfred Molina a fazerem um casal que, depois de anos de vida em comum, decidem aproveitar a legalização do casamento para poderem oficializar a sua relação, e acabam por enfrentar dificuldades que obrigam a uma separação. Mas um dos encantos do filme é não se deixar prender apenas por uma história ou por um tema, dedicando um olhar atento às outras personagens, ás suas próprias histórias e às suas razões. É assim que um filme que começa com uma sequência em que vemos dois homens já a caminhar para a velhice, a acordar abraçados na cama, termina com uma outra em que vemos um par de adolescentes a deslizar de skate pelas ruas de Nova Iorque em contraluz com o sol poente.

Esta multiplicidade de temas e de narrativas que se cruzam, dá ao filme um tom de verossimilhança, acentuada pela maneira subtil como são tratados sentimentos e emoções, fazendo com que o espectador acredite naquelas personagens, nas suas razões, mas sobretudo nas suas perplexidades, na dificuldade com que enfrentam os problemas que o quotidiano e a vida familiar e social lhes colocam. Em termos narrativos, o filme vai alternando elipses acentuadas com sequências mais lentas e demoradas, ajudando a criar um clima de intimidade com as personagens, mas nunca perdendo ritmo e um sentido de evolução da história, que está sempre a avançar.

A música de Chopin casa muito bem com uma certa melancolia que o filme traz, mas ajuda igualmente a realçar o potencial da cidade como cenário do melodrama. Para além de Lithgow e de Molina, o filme de Ira Sachs reafirma a minha teoria muito pessoal de nunca ter visto um filme mau em que entre a sempre admirável Marisa Tomei.