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à varanda
rosas
innersmile


Entre estas duas fotografias distam dois continentes e mais de 46 anos. A primeira foi tirada em Nampula, em janeiro de 1970, nas vésperas de eu fazer 8 anos. A segunda foi tirada a semana passada, no dia 29 de abril, num restaurante dos arredores de Coimbra.

Já aqui contei a nossa história, da Madalena e minha, de como nos conhecemos há tantos anos, quando éramos ambos africanos de Moçambique, e de como a vida nos fez cruzar de novo, já nas avenidas do mundo digital (e ainda há quem diga mal da net e das redes sociais).

Faltava encontrarmo-nos mesmo, frente a frente, ou melhor lado a lado, como estamos nessa foto a preto e branco, tirada na varanda da casa de Nampula. A nossa varanda, como lhe chamámos, e onde passámos todos estes anos a olhar a vida. A vida que, sempre mãe e madrasta, por vezes no mesmo gesto, por vezes no mesmo dia, foi retardando esse reencontro. Mas que chegou, finalmente.

Estar com a Madalena foi uma das coisas mais extraordinárias que me aconteceu. Foi como conhecer um amigo. Não é conhecer uma pessoa que se vai tornar um amigo; é mesmo conhecer alguém que já é amigo, é amizade à primeira vista. Um amigo com quem já se tem uma história comum, e uma história antiga, a história de uma vida, de duas, de muitas vidas. Sinto-me tão privilegiado por a vida me ter escolhido para ser protagonista, co-protagonista de uma história assim, que tem qualquer coisa da ordem dos milagres.

Como notou a Madalena, não éramos só nós, os que estávamos sentados à mesa, que participámos deste encontro. Havia mais alguém que esteve sempre connosco, e que, foi, de certa maneira, a única responsável por estarmos ali, a Madalena e eu. Por isso, todo o carinho deste reencontro é para ela.