May 3rd, 2016

rosas

jardim zoológico de vidro

Graças à iniciativa da Margarida, fomos ver ao Teatro da Politécnica (e à borla, ainda por cima) The Glass Menagerie, do Tennessee Williams. Com tradução de José Miguel Silva, e encenação de Jorge Silva Melo, que preferiu dar à peça o título de Jardim Zoológico de Vidro, em vez do tradicional ‘Cristal’, para acentuar a condição pobre dos personagens. Interpretações do electrizante João Pedro Mamede (é daqueles actores que é impossível tirar os olhos deles quando estão em cena), da magnífica Isabel Muñoz Cardoso, de José Mata e de Vânia Rodrigues.

Esta peça é das primeiras que Williams escreveu e que o tornou um dos maiores dramaturgos norte-americanos. Talvez por ser muito inicial, tem um dispositivo dramatúrgico relativamente simples, e um forte carácter autobiográfico, não sendo em vão que o personagem principal tem o mesmo nome próprio do autor. É, de certa forma, uma peça escrita contra o remorso e o sentimento de culpa, ao encenar as razões de uma fuga e de um abandono.

Para além de várias versões cinematográficas, a última das quais realizada por Paul Newman com a inevitável Joanne Woodward e o John Malkovitch, vi de certeza pelo menos uma outra produção desta peça de Williams. Foi há quase 20 anos, levada à cena por um grupo de teatro universitário numa pequena cidade do estado do Wisconsin, nos Estados Unidos. Já me lembro pouco desse espectáculo, até pelas circunstâncias em que o vi, por isso foi excelente revê-la agora, num espectáculo com a força e a eficácia habituais nas encenações de Jorge Silva Melo.

Ter ido ao teatro em tão excelente companhia, da Margarida e do Eduardo, e depois de uma tarde tão bem passada, foi um plus muito significativo. Para mais numa zona da cidade que me diz muito, e onde há muito tempo não passava.