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quando a noite cai
rosas
innersmile


Num final de tarde de julho de 1996, um casal dirige-se a uma praia deserta para dar mais condimento ao seu affair extra-matrimonial. Para a coisa ser ainda mais picante, montam uma câmara de vídeo, apontada ao mar, e acabam por filmar inadvertidamente, como segundo plano das suas tórridas aventuras, a explosão de um Boeing 747.

Situando a acção cinco anos depois, no verão fatídico de 2001, Nelson DeMille põe, em Quando A Noite Cai, o ex-detective da polícia John Corey a investigar a teoria da conspiração que rodeia um dos mais conhecidos acidentes aéreos, a explosão do voo 800 da TWA, em frente à costa de Long Island, poucos minutos depois de ter levantado voo do aeroporto JFK, nesse final de tarde de julho.

Já tinha lido um livro, o primeiro, A Ilha do Medo, da série consagrada a este herói. São livros envolventes e divertidos, com uma escrita muito corrida, bons diálogos, capítulos curtos, enfim, the works. Infelizmente, e depois de um arranque intrigante, o livro perde um pouco o fôlego, que volta a ganhar para as cem páginas finais, alucinantes, que se lêem em modo compulsivo. O final, sendo previsível e até inevitável, não deixa mesmo assim de provocar um arrepio no leitor.

carol
rosas
innersmile
Fui a correr no dia da estreia, ver Carol, o filme que Todd Haynes fez a partir do livro O Preço do Sal, da Patricia Highsmith (que li o ano passado). Apesar de algumas alterações narrativas, Haynes manteve-se muito fiel, sobretudo ao espírito do livro de Highsmith, que é fundamentalmente um exercício sobre o poder avassalador de uma enorme paixão, para mais quando é vivido na margem daquilo que é admitido socialmente.

Como já me tinha acontecido em relação ao livro, a miha simpatia nesta história vai toda para a personagem de Therese, que é não apenas a protagonista, mas o verdadeiro motor da história: é o dela o conflito que sustenta toda a história; é ela que que vai oferecer o seu frágil e formoso pescoço de gazela à fria e predadora Carol; é Carol que é o seu objecto do desejo; e é ela que, no fim, decide, contra a sua própria perturbação, que a história deve ter um final feliz.

Todd Haynes filma esta história com o apuro formal, entre o esfumado e o saturado, que é imagem de marca da maior parte dos seus filmes, em especial de Far From Heaven, sendo justo por isso destacar a fabulosa fotografia de Edward Lachman, responsável pela cinematografia de ambos os filmes. A banda sonora é um tratado, quer o score original quer a escolha dos temas. Mas claro que o cast é um dos grandes trunfos deste filme maravilhoso, com a Rooney Mara e a Cate Blanchett a darem vida e alma às personagens, mas mais do que isso, a marcarem este filme com uma beleza, um sortilégio e um fascínio verdadeiramente extraordinários.

A Patricia Highsmith é uma imensa escritora, mas isso apenas não deve explicar o facto de todas as adpatações para cinema das suas obras serem muito boas (apesar de ela achar o contrário), logo desde o seu primeiro livro, Strangers On A Train, que foi adaptado por Alfred Hitchcock, passando pelas novelas de Ripley, duas do Talented Mr. Ripley, dirigidas por René Clement e por Anthony Minghella, ou o Amigo Americano, de Wim Wenders, ou ainda pela adaptação de The Cry Of The Owl, por Claude Chabrol, que eu não conheço, entre muitas outras. E às quais se vem juntar agora esta obra-prima que é o filme de Todd Haynes.