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21 de janeiro
rosas
innersmile


Hoje é o dia de aniversário da minha mãe. O ano passado ainda estávamos juntos, apesar de ela já estar bastante mal. Hoje, pela primeira vez, experimento esta sensação um pouco estranha de não haver razões para comemorar uma data tão importante para mim, porque tudo já se passa na memória. É certamente um dia para a recordar, mas nisso, este dia não é diferente de todos os outros.

Muitas vezes limitava-me a por aqui um poema neste dia, para assinalar, ainda que só para mim, a data. Nestes últimos anos, falava sobre o assunto, porque tinha a percepção clara de que cada dia de aniversário podia ser o último.

Um destes dias lembrei-me de que, com a falta da minha mãe, tenho aos poucos estado a perder uma certa capacidade para fazer palermices. Adorava dizer poemas para a minha mãe ouvir, cantar canções, fazer macacadas. Claro, era a única pessoa que estava disposta a ouvir-me dizer poemas. E ainda por cima gostava.

Desde ontem de madrugada que estou com febre, suponho que seja gripe, ou uma virose qualquer. Até nisso. Em vez de ir trabalhar, e distrair-me, fico aqui em casa a ler, a dormitar, a esperar que a temperatura aumente, e depois a esperar que baixe. A pensar na minha mãe, ou melhor a tentar perceber melhor o absurdo que é vivermos sem aqueles que mais amamos, sem aqueles que nos amavam de maneira tão incondicional e absoluta.