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bowie
rosas
innersmile
Acordar com a notícia da morte de David Bowie, escassos dias depois de ter lançado um novo disco e de ter comemorado mais um aniversário. Não é coisa pequena, ficarmos sem Bowie. Não há concílio de cardeais que nos valha, para substituir talvez o tipo mais influente da música pop, um tipo tão cool que sempre nos conseguiu convencer que tudo o que fazia era a sério, mesmo quando se estava mesmo a ver que era marketing para vender (mais) discos. Nada do que fez foi irrelevante, e nunca acertou ao lado, nunca teve um momento falhado, nunca tropeçou (mesmo quando a vida tropeçou nele).

Cheguei tarde a Bowie, com Ashes to Ashes e Scary Monsters e, mais tarde, com Absolute Beginners, a canção e o filme de Julien Temple. Depois, devagarinho, fui andando para trás, mais até do que a sucessiva descoberta dos discos novos. Já na idade dos downloads ilegais consegui ouvir a discografia integral, e foi uma revelação, foram muitas revelações.

Como tenho gostos musicais muito ecléticos, há uma série de nomes que são, para mim, incontornáveis, no sentido em que criam uma matriz que alicerça outros gostos, outras explorações, novas descobertas. Sem, primeiro, Lou Reed, e sem, agora, David Bowie, há um capítulo da minha experiência de ouvinte de música que fica completo. O mapa está definitivamente traçado; a responsabilidade por continuar a viajar agora é só nossa.

joy
rosas
innersmile
Fui este fim de semana ver Joy, realizado por David O’Russell, que se baseia na história verdadeira de uma dona de casa que inventa a esfregona que se torce a si mesma, e que a partir daí se tornou numa empresária no mundo do comércio das tele-vendas. Como quase sempre acontece, O’Russell aproveita estas histórias de personagens menores para fazer filmes sobre a América. Aqui a tese parece um bocadinho forçada, e as cores da história têm de ser relativamente puxadas, e mesmo assim de maneira nem sempre muito conseguida, para poder ganhar esse brilho de história exemplar.

Mas o realizador tem méritos garantidos, que conhecemos já de outros filmes. Um deles é o estilo, um realismo um pouco ‘scorsesiano’, uma certa vocação para a tragédia que tem qualquer coisa do sentido operático de Coppola, e uma noção de ritmo que deve alguma coisa à concisão e à eficácia narrativa dos video-clips.

Mas aquilo que David O’Russell faz melhor, pelo menos na minha opinião, é dirigir actores, que são sempre tremendamente sedutores nos seus filmes. Aqui, a jogar com um naipe de actores muito seus, O’Russell traz-nos de novo um Robert De Niro grande, um Bradley Cooper que nos levaria a qualquer sítio, o regresso de uma Diane Ladd carismática e grandiosa (como sempre), ou de uma Isabella Rossellini num registo de comédia que consegue a proeza de ser caricatural e verosímil. Mas o filme é, claro, de Jennifer Lawrence, a quem o realizador arranca interpretações fulminantes de tão intensas.
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