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é só não ser visto
rosas
innersmile
Já perdi muitas pessoas na vida, já vivi muitas mortes. Algumas chocantes, que nos deixam revoltados ou cheios de angústia; outras mais tranquilas, que chegam como se estivéssemos à sua espera, por muito injusto que isto possa ser para quem parte, e por muita saudade que nos deixe. De certa maneira, podemos dizer que a vida, a nossa vida, a vida de qualquer um de nós, é feita de perdas, das pessoas com quem nos cruzámos, ou que amámos muito, e que vão partindo. Sobretudo a partir de uma certa idade, em que começa a ser mais ou menos frequente a morte de pessoas que conhecemos ou, mais do que isso, que fizeram parte das nossas vidas. Ou, mais ainda, que dela faziam parte de maneira essencial, estruturante.

Isto porque hoje era o dia de aniversário do Saint-Clair. A minha vida nos últimos anos foi marcada por duas mortes, a da minha mãe e a do Saint. E apesar de terem já passado quase três anos desde que o Saint morreu, e de a sua ausência me continuar a pesar, ele continua muito presente na minha vida, na minha vida de todos os dias. É verdade que aqueles que amamos muito não morrem dentro de nós. O que é bom, porque a sua recordação nos embala e aconchega os dias, mas não nos oferece grande consolo, porque parece que torna absurda a ideia de estarmos vivos sem eles.

No outro dia fui a uma missa, e gostei muito da homilia do padre. Não sei se cheguei a falar nisso aqui, mas foi há pouco mais de um mês. Foi pouco depois do dia de todos os santos, e a missa era por intenção dos fieis defuntos. Primeiro, o padre tinha uma voz e uma dicção muito bonitas, fazia-me lembrar a voz do Vinicius de Moraes envelhecido. Mas eram as suas palavras que faziam um sentido extraordinário. No fim da missa, nas suas palavras finais, o padre exortava-nos a não fazermos da lembrança dos nossos queridos mortos um motivo de tristeza, e garantia-nos de que o nossos entes queridos estão sempre connosco e que se eles pudessem falar aquilo que nos diriam era: Vive! Vive!


[O título deste texto foi roubado a um poema de Eugénio Lisboa, intitulado 'Transparência']

inventário I: concertos, exposições, dança, teatro,
rosas
innersmile
Não se pode dizer que tenha sido um ano famoso em matéria de eventos culturais. Ao contrário do que tem acontecido de forma regular em anos anteriores, no ano que agora termina não saí de Coimbra para assistir a um espectáculo. Falta de disposição, preguiça, algum cansaço, e até o gato (que torna a casa mais aconchegante, e me obriga a acordar todos os dias muito cedo), tudo foram pretextos para sair pouco.

Ainda assim quase uma dezena de concertos, um espectáculo de dança, outro de teatro, e três excelentes exposições, deram algum embalo cultural ao ano. Saliento as exposições, todas elas muito boas e estimulantes. Quanto aos concertos os que me deram mais prazer assistir foram os de António Chainho, da Gisela João e da Adriana Queiroz.

Aqui fica a lista completa:

Concertos
- António Zambujo, CMC, março
- Ala dos Namorados, CMC, maio
- António Chainho, CMC, maio
- Gisela João, Quinta das Lágrimas, julho
- Uxía, CMC, outubro
- Miguel Araújo, CMC, outubro
- Paulo de Carvalho, CMC, outubro
- Adriana Queiroz, com Filipe Raposo, CMC, novembro
- Orquestra Clássica do CMC, dezembro

Dança
- Rui Horta, Hierarquia das Núvens, TAGV

Teatro
- Monstros S.A. (sem abrigo), texto de Roland Dubillard, encenação de Filipe Crawford, interpretação de Rui Paulo e Filipe Crawford, CMC, junho

Exposições
- Primeira Pessoa Plural, colecção Ana Cristina e António Albertino, armazém industrial Adémia, Coimbra
- Helena Almeida, A Minha Obra é o Meu Corpo, o Meu Corpo é a MInha Obra, Museu de Serralves, Porto
- How To (...) Things That Don’t Exist, colectiva, Bienal de São Paulo, Museu de Serralves, Porto