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dez da noite
rosas
innersmile
São dez da noite, e eu regresso a casa pela auto-estrada do norte. Acabo de passar pelo troço de onde se avista a torre do santuário de Fátima e inevitavelmente me lembro de ti. Fizemos, nos últimos anos, muitas vezes esta viagem de carro e eu chamava-te sempre a atenção para poderes ver a torre do santuário. Entretanto mudo ao acaso a sintonia do rádio e começo a cantarolar a canção que está a ser transmitida. Mas fico contigo, a pensar nessas vezes que vínhamos juntos ao passar neste local, quase sempre a ouvirmos cd’s de fados, muitas vezes a cantarmos nós. A tua presença dentro do carro, ao meu lado, começa a sentir-se com muita força. Tiro a mão do volante e estendo o braço para o assento do passageiro. Estou a repetir um gesto que fazia muitas vezes nessas viagens, sentir-te, fazer uma carícia leve na tua perna ou no teu braço. Só toco o vazio, claro, mas sinto a tua presença com tanta intensidade, que não resisto a voltar o rosto para a direita, à espera de te ver sentada ao meu lado. Então, falo contigo.