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ainda a política
rosas
innersmile
Ainda a propósito do texto anterior, sobre a política, há um aspecto muito relevante. Até há pouco tempo, meses, ou mesmo semanas, era comum ouvir que a diferença entre esquerda e direita tinha deixado de fazer sentido, que a grande divisória punha-se entre os partidos que estavam dentro do sistema (em Portugal adotou-se a expressão “arco da governação”), e os partidos fora do sistema (habitualmente vistos como “radicais”). De repente, voltou a fazer sentido ser de esquerda ou de direita. Esse também foi um dos méritos que António Costa veio trazer ao PS: face à opção ideológica do PSD de alinhar à direita, afirmar-se como um partido de esquerda, ainda que de vocação centrista.

Um dos aspectos que, na minha opinião, ajudou a degradar a política foi esse esvaziamento ideológico. Gradualmente deixou de haver opções, ideias, valores. Tudo se jogava numa espécie de limbo tecnocrata em que se era pró ou anti Europa, pró ou anti Grécia, pró ou anti Merkel. A política deixou de ser o campo onde se debatem ideias, e transformou-se no campo onde se afirmam interesses. Tudo a que poderia ambicionar quem se interessa pela política era ser alinhado ou irrealista.

É bom, por isso, podermos voltar a discutir política, é bom podermo-nos de novo afirmar como sendo de esquerda ou de direita. Era bom podermos voltar à polis, depois de muitos anos a viver à sombra dos mercados.
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