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dança de família
rosas
innersmile


Já há algum tempo que andava com vontade de reler os livros mais antigos de David Leavitt, nomeadamente o Lost Language of Cranes (o ano passado já tinha relido o Arkansas). Mas, assim como assim, decidi reler o primeiro livro do Leavitt: não só o primeiro que li, mas igualmente o primeiro que ele publicou, Dança de Família, Family Dancing no original.

Escrito quando o autor tinha vinte e dois ou vinte e três anos, trata-se de um conjunto de contos muito poderosos, quase todos à volta de dois temas: a homossexualidade e a doença, em particular o cancro, e o impacto que estes dois assuntos têm nas vidas dos indivíduos e das famílias. Curiosamente, um dos contos é protagonizado por um trio de personagens que vão aparecer num livro posterior de Leavitt (numa das novelas de Arkansas).

Os temas justificam o meu interesse em relação ao livro, mas o meu fascínio de então, julgo compreender agora, tinha igualmente muito a ver com o estilo de Leavitt, muito seco e ‘straightforward’, pouco descritivo mas parecendo entrar na mente dos próprios personagens. Dá igualmente para perceber que Raymond Carver terá sido uma forte influência em Leavitt, pelo menos nestes contos iniciais.

A página de abertura do livro tem a minha assinatura e adata que inscrevi na altura em que o li, no verão de 1987. A assinatura é diferente da que uso actualmente, mas gosto muito desta minha letra da altura, muito certinha e bonitinha. Curiosamente, tenho o livro encapado; na altura, quando estava ainda em casa dos meus pais, costumava encapar os livros com capas mais sugestivas, mas não é o caso, a capa do livro, de Henrique Cayatte se não estou em erro, reproduz um quadro célebre de Matisse. Mas de certeza que o encapei para disfarçar o conteúdo do livro, pelo menos das histórias gay. E, numa espécie de acto falhado, utilizei um papel que de certa maneira recorre à imagética do arco-íris, apesar de ser o papel de embrulho que a Imprensa Nacional Casa da Moeda usava na época.