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the walk
rosas
innersmile
Há muito tempo que não via um filme do Robert Zemeckis. Nos anos 80 e 90 não perdia um dos seus filmes: Romancing the Stone, a trilogia Back to The Future, o prodigioso Roger Rabbit, o Contacto, entre outros. Depois ele deixou de fazer filmes com regularidade, e eu, mesmo sem querer, nunca mais vi nenhum (o último que tinha visto foi, creio, o Cast Away). Até agora este The Walk, o filme que ele fez a partir da incrível proeza que Phillipe Petit levou a cabo no dia 7 de agosto de 1974, ao atravessar um cabo de aço esticado entre as duas torres do Wold Trade Centre, em Nova Iorque.

Ouvi falar desta história por causa do ataque de 11 de setembro às icónicas Torres Gémeas de Manhattan (onde estive, mas não subi, e fotografei, em 1994). Aqui há uma meia dúzia de anos vi um documentário muito bom sobre o ‘golpe’ de Petit (como ele gostava de dizer), Man on The Wire (link) que, se não estou em erro, concorreu e ganhou um Oscar da Academia. Já mais recentemente, li um livro de Colum McCann, Deixa o Grande Mundo Girar (link), que nos conta inúmeras narrativas (umas mais desenvolvidas outras mais breves) que têm em comum passarem-se, ou terem momentos decisivos, nesse dia de agosto enquanto Petit se passeava pelos céus da cidade.

Estou pois razoavelmente informado sobre o golpe de fonâmbulismo Petit, a sua preparação, as dificuldades, a aventura que foi conseguir levar a cabo essa ideia verdadeiramente extraordinária, e muito perigosa, de caminhar sobre o cabo de aço esticado entre dois dos mais altos arranha-céus do mundo. E tinha muita curiosidade em ver como Zemeckis pegava na história, e sobretudo tentar perceber porque é que a história o fascinou.

Claro, tratando-se de Zemeckis, o filme é um prodígio de trabalho técnico e de câmara, e tenho pena de não ter visto em 3D. O Joseph Gordon-Levitt é um excelente actor e tem aqui um interpretação fantástica. Mas, mais do que Petit e o seu feito, que já são quase da ordem do miraculoso, a peça central do filme são, como é inevitável, as Torres Gémeas. A história do feito do fonâmbulo francês é, inevitavelmente, a história das torres do WTC. Quer as torres quer o acto de caminhar pelo céu, entre elas, têm essa qualidade de, libertando-se da história, pertencerem hoje, quase por completo, ao reino da imaginação e da fantasia. Era uma vez...