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para além das montanhas
rosas
innersmile


Primeiro uma declaração de interesses: apesar de não conhecer pessoalmente o autor de Para Além das Montanhas, o Ricardo Sousa Alves é filho de uma amiga muito querida e, é sabido, estas coisas dos afectos turbam sempre a objectividade com que olhamos as coisas. O que, pensando bem, também não é nada de extraordinário, pois tudo o que aqui escrevo é sempre muito subjectivo e nem sequer vale o que vale, mas apenas o valor que lhe dou. Adiante.

O livro tem um fio narrativo que o tansporta: a história de uma lenta e dolorosa, e muito comovente, despedida de um jovem em relação ao seu irmão mais novo, que está em coma na sequência de um acidente.

Mas para além disso é uma absorvente e intensa evocação da vida numa aldeia remota de Trás-os-Montes, com tudo o que de duro e maravilhoso isso implica. E, não só da vida, mas de uma infância, essa lente amplificadora das emoções, que torna as dificuldades ainda mais severas, e até crueis, e as coisas boas, sobretudo as que vêm da natureza, quase da ordem dos milagres.

Foi este o aspecto do livro que mais me prendeu, até pelo domínio exemplar quer da linguagem quer dos hábitos e gestos de um quotidiano enraizado num modo de vida austero e antigo. Apesar das minhas raízes se localizarem noutra latitude, tão radicalmente diversa, passei na adolescência, ainda que de raspão, por uma aldeia da Beira Alta, não muito distante, nem diferente, da que é descrita no livro. E durante um ano lectivo estudei num das principais cidades transmontanas, o que quer dizer que o meu ouvido reconheceu algumas das expressões utilizadas no livro. Bô!