?

Log in

No account? Create an account

e vão três
rosas
innersmile
Faz hoje oito dias que fui operado. A terceira vez em pouco mais de três anos, a segunda quase de seguida, depois de ter sido operado em dezembro. Sempre à mesma coisa e sempre o mesmo tipo de intervenção. Mas, como em tudo, cada caso é um caso.

Desta vez entrei pela urgência, porque estava a ter hemorragias há mais de dez dias e já estava a ficar anémico (bom, ainda estava longe, mas pronto, a hemoglubina já estava a descer). Entrei na urgência por volta das duas da tarde e menos de duas horas depois estava a ser levado para o bloco operatório. Numa casa de banho de corredor troquei a minha roupa pela bata aberta atrás do hospital (sim, andei a pavonear-me pela urgência de rabo de fora), trepei para uma maca e foi mesmo ali no corredor que me tiraram sangue e fizeram o acesso para o catéter (as minhas veias estão cada vez mais miseráveis, ainda estou cheio de hematomas das cinco ou seis tentativas de picar).

Eram seis menos vinte quando acordei ainda no transfer da sala para o recobro, e pela primeira vez senti-me, ainda durante umas seis horas, completamente atordoado da cabeça, com uma estranha e incómoda sensação de perda de consciência, de afundamento, mas sem conseguir adormecer. Horrível. Fiquei no hospital até terça-feira porque tive de ficar com sonda de drenagem dada a extensão da ferida operatória e o perigo de perfuração da bexiga. Deixaram-me sair já passava das nove da noite, parecia mais que estava a fugir do hospital, deserto àquela hora, do que propriamente a ter alta.

Fiquei em casa dos meus primos duas noites, para ter companhia, mas logo na quarta de manhã fomos até às esplanadas da beira-rio beber um café ao sol. Na quinta de manhã vim para casa e o gato fez-me uma cena de amor escandalosa. Como a bexiga está muito sensível, tenho vontade de urinar quase de hora em hora (de dia e de noite, o que me impede de dormir convenientemente), e sempre com uma premência tão grande que tenho de ir na hora. Continuo a ter dores e a sentir picadelas, mais, creio eu, do que das outras vezes, mas se calhar é por a ferida ter sido maior desta vez (as lesões estavam muito profundas, o que explica as hemorragias) e por ter tido a sonda mais tempo.

Entretanto ontem soube o resultado da anatomia patológica; ainda não li o relatório mas disseram-me que é idêntico aos anteriores: lesões superficiais, sem invasão do tecido muscular (ou whatever, estou a falar de cor) e baixo grau de malignidade. Ou seja, por aqui nada de novo, mas as decisões acerca do futuro só irão ser tomadas daqui a poucas semanas, quando tiver a primeira consulta pós-operatória.

Desde a última vez que aqui escrevi, quer antes quer sobretudo depois da operação, fui ao cinema, fui a um concerto de música, teminei a leitura de dois livros e comecei a leitura de um terceiro. Aproveito para agradecer a todos os amigos que ligaram, mandaram sms ou deixaram mensagens aqui. Nem sempre pude responder na hora, mas receber esses carinhos é das poucas coisas verdadeiramente reconfortantes que nos acontecem nestas ocasiões.