September 24th, 2015

rosas

recidiva

É curioso porque sinto uma certa necessidade de escrever sobre o assunto, mas não sei bem de que maneira; não é de que maneira hei-de escrever, é mais como é que possa escrever alguma coisa que me ajude a dar sentido às coisas. O ponto é que o meu cancro da bexiga recidivou (pela segunda vez em menos de um ano). O que não é muito estranho, porque é dos cancros que tem taxas de recidiva mais elevadas, sempre acima dos 60%. Como nem tudo é mau, o cancro que tenho é de baixo grau de malignidade, o que significa que, pelo menos por enquanto, a coisa vai-se resolvendo com uma cirurgia relativamente simples e rápida.

Desde o início do mês que ando nisto. Exames, consultas, discussões, hesitações. Fui ouvir uma segunda opinião que confirmou aquilo que sempre soube. Finalmente tinha cirurgia marcada para daqui a cerca de duas semanas e estava a preparar-me mentalmente para o facto. Mas como tenho tido muitas hematúrias, seguidas e exuberantes, o médico acha que não faz sentido esperar tanto tempo e propõe-se fazer a cirurgia quanto antes, de urgência, o que poderá acontecer já neste próximo fim de semana.

Pelo sim pelo não ontem à noite já tratei de quem fique a cuidar do gato, que é a minha preocupação principal, já que o meu pai, felizmente, está entregue a quem sabe cuidar dele. Mesmo assim não o vou poder visitar durante alguns dias, o que faz crescer o risco de ele também se deixar de lembrar de mim. Hoje ainda vou trabalhar, mas amanhã tenho de ficar em casa, a tratar da minha vida pré-operatória, mas sobretudo a entrar no modo próprio, a concentrar-me, a preparar-me animicamente para o choque de emoções que vão ser os próximos dias: são sempre, fazer uma cirúrgia, ainda por cima a um problema deste tipo, é sempre uma experiência um pouco limite a nível emocional.