August 15th, 2015

rosas

perversões



Não costumo ler ensaios sobre temas ligados à sexualidade, mas uma curta nota de Eduardo Pitta no seu blog e os escritos e crónicas que li na net do seu autor, trouxeram-me à leitura de Perversões, de Jesse Bering, escritor e professor de psicologia.

O livro é uma actualização sobre o estado actual dos estudos científicos sobre as parafilias, e uma enorme e muito divertida provocação ao modo como lidamos com as perversões sexuais, que em termos de atitude quer de comportamento, quer do ponto de vista da moral, em particular da religiosa, quer do da justiça.

Jesse Bering consegue contestar preconceitos e abalar convicções, e fá-lo (trocadilho intencional) com um sentido de humor notável. O facto de ser homossexual assumido dá-lhe uma perspectiva muito particular, uma vez que até há relativamente pouco tempo a homossexualidade era considerada uma perversão, e, do ponto de vista cultural e das mentalidades, ainda o é por uma gente.

O livro é tão desafiador, tão eficaz em nos tirar de debaixo dos pés o tapete da zona de conforto, que há passagens que chegam a ser inquietantes; de facto é preciso uma dose de coragem, e sobretudo uma convicção muito fundamentada naquilo que se diz, para, por exemplo, desconstruir uma série de mitos que as sociedades contemporâneas têm em relação à pedofilia.

O único senão do livro é a sua tradução. Por vezes muito agarrada ao inglês original, faz-nos andar atrás da frase para lhe conseguir entender o sentido; outras vezes, são mesmo erros gramaticais, de sintaxe ou de concordância, por exemplo, que fazem a leitura tropeçar. É uma pena, porque a tradução verdadeiramente perturba a compreensão do livro e sobretudo a sua fruição.