August 12th, 2015

rosas

bigger than life

Bigger Than Life, de Nicholas Ray, foi o filme desta semana na sessão ao ar livre do cineclube. Melodrama poderoso, faz parte de uma série de três filmes geniais que Ray realizou nos anos 50, sendo os outros dois bastante mais conhecidos: Johnny Guitar e Rebel Without a Clause, o filme que criou para o cinema a figura do adolescente problemático e de caminho transformou James Dean num mito.

Claro que o cinema de Ray não se esgotava nas regras do género, e Bigger Than Life aborda assuntos no mínimo delicados, para não dizer mesmo controversos, para a América dos anos 50: o esvaziamento da imagem sólida da família assente no domínio do patriarcado, os efeitos desconhecidos e potencialmente perigosos dos novos medicamentos e dos milagres da medicina, enfim, o predomínio da psicose e da deriva demencial na everyday life.

Mas o que fica verdadeiramente, mais do que a história e os seus assuntos, é o próprio cinema, a arte de contar histórias por imagens, e algumas características que Bigger Than Life partilha com os outros filmes referidos: o cinemascope glorioso, o technicolor que torna as cores fortes e intensas, os encarnados vivos a lembrar que o sangue que nos alimenta também nos devora, os planos que transformam as personagens e as suas sombras verdadeiramente maiores do que a vida.

E uma direcção de actores de cortar a respiração, trazendo-os sempre para o fio da navalha. James Mason, que produziu o filme e participou na escrita do argumento, é preciso como uma lâmina, e a sua passagem da bonomia para a malvadez psicótica tão inequívoca mas subtil que nunca conseguimos decidir qual das duas facetas, a boa ou a má, é a mais fascinante.