August 6th, 2015

rosas

um eléctrico chamado desejo



Ver o Stanley Kowalsky no grande écran é outra coisa, ainda que o écran seja uma das paredes do museu do mosteiro de santa clara. A Street Car Named Desire foi o filme desta semana no cineclube (é fantástico, estamos em agosto e as sessões continuam cheias de público), num ciclo dedicado aos clássicos.

Sou um fã devoto do filme de Elia Kazan (tal como sou da peça de Tennessee Williams, aliás de todas as suas peças), que já tinha visto muitas vezes, mas foi a primeira vez naquilo que se pode chamar uma verdadeira sessão de cinema, ou seja sem ser na tv ou no computador, numa plateia pública, às escuras. E tudo parece ainda maior e mais intenso. E é tão bom rever as cenas icónicas do filme, a tragédia daqueles anjos em queda parece que fica ainda mais em evidência; e ver como Kazan mantém a tensão, e até o ritmo, do teatro.

Vivien Leigh e Marlon Brando são dois animais em fúria, e feridos de morte. Sempre que vemos o Brando num filme, e sobretudo neste, parece quase impossível como se pode ser tão belo e tão bom actor. Mas este visionamento permite confirmar que Blanche é a verdadeira personagem desta história, é nela que Tennessee Williams se projecta, na sua fragilidade que resulta de uma impossibilidade de lidar com as coisas do mundo, com o tráfego abrasivo que é o mundo dos outros.