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taxi teheran
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Um filme excelente e marcante: Taxi, de Jafar Panahi. O realizador iraniano, depois de cumprir uma pena de prisão, está proibido de realizar filmes, mas também de abandonar o Irão. Este é, por isso, o terceiro filme “clandestino” que realiza. Todo o filme se passa dentro de um táxi, com câmaras apontadas para o seu interior ou para o exterior, que filmam a relação que se vai estabelecendo entre o condutor, o próprio Panahi, e os seus passageiros, ou mesmo, como na sequência inicial, entre os próprios passageiros.

Sem nunca ser explicita e declarativamente político, Panahi e os seus passageiros vão propondo reflexões veementes sobre a situação política do país, sobre a cidadania e os seus limites sob um regime religioso radical, sobre a liberdade de expressão, sobre, enfim, o cinema e as suas linguagens. Ao mesmo tempo que o filme nos mostra de forma incessante a cidade, os seus habitantes, a vida que fervilha apesar de tudo, sendo, neste aspecto, também um filme sobre uma cidade, Teerão.

E se se trata de um filme profundamente político, e sério no sentido de ser uma voz que nos chega atravessando o denso muro do silêncio e da censura, toda a narrativa é leve e sempre a deixar a comédia entrar dentro da claustrofobia do táxi. Aliás cada sequência organiza-se quase como se fosse um gag, apesar da comicidade das situações ou dos diálogos deixar sempre perceber o drama de quem vive numa sociedade sem liberdade.

Esta capacidade de em cada momento nos transmitir a comédia e o drama atinge um dos seus pontos máximos quando Panahi monta uma solução caricata para pôr fim ao seu filme, enunciando logo de seguida que o filme não tem genérico final, a fim de garantir a integridade e a segurança de todos os que nele colaboraram.
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