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child 44
rosas
innersmile
Se fosse no tempo da União Soviética, Child 44, realizado por Daniel Espinosa, bem que podia ser acusado de propaganda anti-comunista, tal o retrato impiedoso que traça do ambiente pesado de perseguição política de que eram vítimas todos, nomeadamente os cidadãos comuns e os próprios membros da nomenklatura caídos em desgraça. No contexto actual a asfixia do aparelho serve para criar o ambiente de tensão a que está sujeito um antigo herói da libertação de Berlim (o homem que espeta a bandeira no topo do Reichstag), que decide investigar uma série de ‘trágicos acidentes’, na versão oficial, de que foram vítimas crianças, acabando a dar caça a um serial killer que é inspirado na figura do infâme carniceiro de Rostov (apesar da incongruência cronológica: o filme passa-se nos anos 50, ainda durante o 'reinado' de Stalin, e os crimes reais foram cometidos nos anos 70 e 80).

Na minha opinião o filme vale precisamente pela eficácia do retrato que traça dos anos de chumbo do socialismo soviético, que mistura o formalismo dos símbolos e dos procedimentos e a dissipação da vida provada quotidiana dos cidadãos. Pontos a favor ainda as interpretações de Tom Hardy e de Gary Oldman, que conseguem ser convincentes mesmo tendo de aguentar todo o filme com um sotaque ‘à russa’ pesadíssimo e muito divertido, quase ao ponto do ridículo.

Do que menos gostei foi de uma acentuada tendência para o exagero, que tudo contamina: desde a narrativa, demasiado arrastada e recheada de peripécias pouco relevantes para a economia do filme e que estragam a sua eficácia, até às soluções para determinadas cenas, muito exageradas. É um filme que peca por falta de subtileza, e bem precisava dela, para ser mais eficaz e convincente.
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