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um estranho lugar para morrer
rosas
innersmile


Um policial sui generis, por várias razões: é escrito por um norte-americano que vive na Europa, a trama passa-se na Noruega, o protagonista é um judeu octogenário. Mas a principal razão é porque as personagens, sobretudo a de Sheldon, tem um investimento em termos de construção e densidade que não é habitual nos livros do género.

De facto, pela personagem de Sheldon passam as sombras do holocausto e da ocupação nazi da Europa, em particular dos países nórdicos; mas passam também os traumas das guerras em que os Estados Unidos estiveram envolvidos, nomeadamente as guerras da Coreia e do Vietnam, que desempenham papeis centrais na trama. Mas pelo romance passam igualmente os temas que fazem a actualidade da Europa, como a guerra dos Balcãs e os fenómenos de emigração clandestina e de criminalidade organizada que persistiram na senda do conflito.

A narrativa vai alternando entre momentos mais lentos e reflexivos, e outros mais trepidantes e cheios de acção e suspense.

modus operandi
rosas
innersmile
Acordei hoje às cinco e meia da manhã a meio de um sonho. Estou de férias num país qualquer, que identifico como um dos antigos países de leste. Não percebo a língua nem o modus operandi da cidade. Há sempre uma certa barafunda, quer nas ruas quer no hotel onde estou instalado. A minha mãe adoece e a situação a princípio não é grave mas piora numa espécie de contagem decrescente. Estou cada vez mais pressionado pelo prazo que está a terminar mas não consigo que ninguém me entenda quando tento saber onde é que há um hospital e como é que posso levar a minha mãe para lá.

Voltei a adormecer e recomeço a sonhar. Saio à rua e decido trazer o gato. Ele vem atravessado nos meus ombros, da maneira como às vezes gosta de andar em casa. Desço uma calçada muito íngreme, e acho que estou em Lisboa. No fim dessa calçada há uma praça cheia de gente e cheia de gatos iguais ao meu. Quando tento segurar o gato, ele salta para o chão e eu deixo de o conseguir distinguir no meio dos outros. Digo a alguém que está comigo que vou regressar a casa, para ver se o gato me acompanha, mas não tenho esperança nenhuma de que isso aconteça. Começo a afastar-me do centro da praça, e, no meio de tantos gatos iguais, há um que se cola a mim, a roçar-se nas minhas pernas.

Tive um fim de semana muito chato. Passei o sábado com a minha tia, que veio buscar algumas coisas dela que estavam em casa dos meus pais. Fala-me com muita frieza, porque há coisas que eram da minha mãe, que a minha mãe deu a quem quis, e agora a minha tia diz que eram dela. Não estamos a falar de objectos valiosos, quando muito têm pouco valor, mas são coisas de família, com valor afectivo, sobretudo coisas que eram da minha avó. Acabámos por nem sequer ir ver o meu pai, porque passámos a maior parte do tempo na casa quase vazia a separar coisas para ela levar. É certo que já não havia muita coisa lá em casa, mas ela levou tudo o que quis.

No domingo fui visitar o meu pai. Fomos beber um café ao bar, demos uma voltinha e depois fui pô-lo na unidade onde está internado. Estava lá uma freira que desatou a falar comigo e com ele. Demos mais uma volta a todo o piso, os três, a freira a dizer o padre nosso com o meu pai (ela começa as frases, ele termina) e depois a cantar o 13 de maio. Acabei por estar lá a tarde quase toda.