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o curso normal
rosas
innersmile
No domingo à tarde, regressava de ir ver o meu pai à casa de saúde e cruzei-me, no IC2, com grandes grupos de peregrinos para Fátima. Junto ao local onde há poucas semanas, cinco peregrinos foram apanhados por um carro desgovernado, o trânsito quase para. Pouco depois cruzo-me com um grupo muito grande, um molhe de gente que transborda da estreita berma para a faixa de rodagem. À frente, um homem carrega um porta-estandarte com uma bandeira, azul clara e amarela. Logo a seguir, dois homens suportam um pequeno andor com uma estátua da nossa senhora de Fátima. Não sou religioso, nem sou crente, e, por isso, não comungo do culto mariano. Mas ver aquela imagem da senhora, estrada fora, ao sol inclemente da tarde, por entre o tumulto do trânsito e a brasa do alcatrão, transportada por um grupo de homens e mulheres, comoveu-me. Fiquei com os olhos rasos de água.

Ontem de manhã recebi um telefonema da casa de saúde. Convidam-me para, na sexta-feira de manhã, participar numa reunião do grupo multiprofissional que definirá e planeará a intervenção terapêutica em relação ao meu pai. Respondi logo que sim, claro. E mais uma vez fiquei muito comovido.

A vida segue o seu curso normal. A felicidade reside nas pequenas coisas, nos momentos em que nos sentimos apaziguados. Não há que pedir mais, pois a vida já é generosa, com tudo aquilo que recebemos dela; e com aquilo que passamos aos outros do que a vida nos dá.