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viagens pagãs
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Viagens Pagãs é um conjunto de sete relatos, da autoria de Fernando Dacosta, dos quais quatro são de viagens, um é uma memória de infância, e dois são ensaios reflexivos. A marcar cada um dos relatos, um meio de transporte: uma avioneta no Corvo, uma motocicleta em África, um "carocha" no Brasil, e por aí fora.

Característica comum a todos os textos, cada um deles com uma epígrafe temática, é uma reflexão sobre Portugal, a sua história e a sua identidade, salientando o carácter pagão (daí o título) desses traços identitários, nomeadamente os que se relacionam com o mito sebastianista.

Confesso que soube a pouco, pelo menos no meu caso, que ia sobretudo à procura de travelogues. E é pena, porque o autor é um excelente prosador e cronista, e sabe muitas histórias e conheceu muita gente.

O meu relato preferido foi o da Ilha do Corvo, que chega a ser empolgante. E tem duas histórias deliciosas. Uma é a do cartaz que os habitantes da ilha fizeram para acolher o Presidente da República Óscar Carmona: Bem-vindo a esta terra. E puseram-no no cemitério!

A outra, se não é verdadeira, mais valia que o fosse, e justifica o facto de haver tantos rapazes chamados Maria na ilha. Durante a guerra colonial, os pais davam nomes femininos aos filhos homens, para passarem despercebidos pelas autoridades encarregadas de fazer a mobilização militar.