March 16th, 2015

rosas

chappie

Fui ver no fim de semana, Chappie, do realizador sul-africano Neill Blomkamp, de quem tinha visto, e gostado, os dois filmes anteriores, District 9 e Elysium. Tal como estes, trata-se de uma distopia, que mistura a ficção científica com um olhar critico sobre as nossas sociedades actuais, marcadas pela pobreza, pela sobre-população, pelo desenvolvimento tecnológico e pela violência do Estado.

Dos três, foi o filme que achei mais fraco, apesar de partir de um pressuposto estimulante: o desenvolvimento de robots ao serviço da lei e da ordem policial, e a possibilidade de carregar esses robots com inteligência artificial. E achei o filme fraco sobretudo por causa das personagens, muito caricaturais, sem espessura psicológica, e do dispositivo dramático muito fácil e maniqueísta.

Mas apesar disso, Blomkamp aproveita os seus filmes de acção para levantar questões muito interessantes, não apenas as que referi, e que se prendem com o seu olhar distópico sobre o estado da arte do capitalismo, mas outras até mais profundas e “humanas” como essa que tem a ver com o passo seguinte do desenvolvimento da computação: a capacidade de criar máquinas que para além de fazerem cálculos e realizarem acções, sejam capazes de pensar e sentir. Como li algures, neste aspecto o filme tem alguma coisa a ver com o Her, do Spike Jonze, apesar do estilo e do tom da narrativa serem completamente diferentes.

Vi o filme na sexta-feira à noite e é um sacrifício o esforço enorme que tenho de fazer para não adormecer. Mesmo num filme destes, cheio de acção e cóboiada. Que tristeza, estou mesmo um velho cansado, e chego ao fim da semana completamente de rastos.
rosas

objectos perdidos

A propósito da série de fotografias de objectos da minha casa que aqui vou pondo de vez em quando, já não vou a tempo de publicar uma foto de um frasquinho de vidro grosso, com rolha de cortiça, cheio de areia da praia das Chocas, que recolhi pessoalmente quando lá estive, em janeiro de 2003. Ontem à noite, quando estava a falar ao telefone, ouvi um barulho no corredor e fui verificar: o gato atirou o frasco ao chão, que se partiu todo é claro; os estilhaços misturados com a areia foram para o lixo.
Mas se calhar ainda posso fazer uma outra série de fotografias, com tudo o que o gato já destruiu, estragou ou partiu cá em casa.
(Acho que tenho um resto dessa areia numa garrafa de plástico, guardada algures. Pode ser que a encontre…)