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as avenidas periféricas, em tempos de guerra
rosas
innersmile
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As Avenidas Periféricas foi o primeiro livro que li de Patrick Mondiano, o vencedor do prémio Nobel da literatura do ano passado (uma gentil prenda de Natal da Margarida). Trata-se de um romance muito fantasmagórico, em que nunca temos muito a certeza se o que nele se passa aconteceu mesmo ou se são projecções do narrador. Também o contexto temporal da história não é explicito, mas o ambiente é o da França sob ocupação nazi, e as personagens são um grupo de homens e mulheres de padrão moral duvidoso, que tentam ‘desenrascar-se’ da melhor possível mas sempre com a perspectiva possível do pelotão de fuzilamento. No centro do romance está o próprio narrador, um filho à procura do seu pai.

O que mais prende o leitor é a própria escrita, de uma beleza quase poética, mas sombria, triste como o destino dos personagens, e muito evocativa, capaz de criar ambientes não apenas físicos mas sobretudo psicológicos, ou anímicos. Com este romance Modiano escreve um capítulo importante da história emocional da Europa do século XX, amaldiçoada pela guerra e pela indignidade.

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Igualmente de guerra nos fala Philippe Besson, num romance justamente intitulado Em Tempos de Guerra, também passado na França, mas desta vez na primeira grande guerra do século XX. Um romance de guerra mas sobretudo de amor, entre um adolescente de dezasseis anos e o seu amante, um soldado de vinte e um, de visita a casa durante uma curta semana. Como contraponto a este amor, o livro ensaia também a relação de amizade, durante essa mesma semana, entre o jovem adolescente e um escritor famoso, trinta anos mais velho, nada mais nada menos do que Marcel Proust. O livro estrutura-se como um conjunto de entradas no diário do protagonista, e as cartas trocadas com os seus dois amigos.

Trata-se de um livro breve mas muito intenso, e que me tocou muito, não tanto pela história mas sobretudo pela narrativa e pela própria escrita em si, na qual me revi muito. Há pedaços de texto que, e digo isto sem qualquer presunção, poderia ter sido eu a escrever, de tal forma me revi nas palavras e no estilo, e até, de certo modo, no conteúdo.