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foxcatcher, de bennett miller
rosas
innersmile
Fui no fim de semana ver Foxcatcher, de Bennett Miller. Há mais de um mês que não ia ao cinema, e foi bom este regresso com um filme muito forte. Miller foi o autor da biopic sobre Truman Capote, uma visão muito sombria sobre o autor de Breakfast at Tiffany’s que deu a Philip Seymour Hoffman o Oscar de melhor intérprete.

Essa nota sombria e inquietante é também marca deste filme igualmente baseado numa história real: a de dois irmão praticantes de luta -livre olímpica, medalhados com ouro nos jogos de 1984 e que participaram ainda nos de 1988, e da sua relação com John Du Pont, herdeiro de uma das maiores empresas da indústria química norte-americana, que convidou os atletas a instalarem-se na sua quinta da Pensilvânia, tornando-se sponsor e mentor da equipa olímpica de luta livre dos EUA.

A história, claro, só pode acabar mal, mesmo muito mal. Mas o que é notável é a forma como o realizador, sem nunca trair (muito) a base factual da história, consegue construir aquilo que é simultâneamente um thrillher gelado e seco, e uma perturbadora história de desequilíbrio e fractura mental. O filme é lento, progride devagar, mas consegue instalar em nós um mal-estar e um incómodo que são muito eficazes.

Os papéis dos dois irmãos são desempenhados por Mark Ruffalo, sempre muito bom e seguro, e Channing Tatum, a mostrar aqui provavelmente o seu melhor trabalho. Vanessa Redgrave tem um pequeno papel, mas é sempre um luxo vê-la. Agora a estrela da companhia é sem dúvida o actor de comédia Steve Carell, que arranca aqui uma interpretação fora de série, densa e perturbadora, sempre muito minimalista, a mostrar o desequilíbrio da personagem debaixo de uma quase impassibilidade. Nunca percebemos bem se o seu olhar é vazio ou se é demasiado cheio, e essa ambiguidade, incómoda e quase assustadora, é o verdadeiro motor da eficácia do filme.
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