December 24th, 2014

rosas

Xmas

Chegaram-me ontem às mãos os exemplares que encomendei de um livrinho com poemas muito simples que tenho escrito ao longo dos anos à laia de letras para fados. A ideia era oferecê-lo à minha mãe, com quem aprendi a gostar do fado. Mas quando cheguei ao pé dela o seu estado de saúde estava tão deteriorado, com uma infecção respiratória, que a solução foi levá-lá para o hospital.

Ou seja, chego à vespera de Natal com a minha mãe internada nos cuidados paliativos e o meu pai numa casa de saúde de doenças psiquiátricas. Fez ontem oito dias que fui operado, e tenho estado a recuperar bem, mas desde que saí do hospital tem sido tanta correria e ansiedade, que estou cansado. Ou seja, este ano é o verdadeiro natal dos hospitais!

Por estar muito cansado, e sem tempo disponível não tenho respondido a muitos telefonemas e mensagens dos amigos. A maior parte das vezes, aliás, nem posso atender porque estou ao telefone ou ocupado, e não consigo devolver as chamadas ou responder às mensagens porque entretanto está a acontecer qualquer coisa a que tenho de atender. Isto para pedir desculpa pelo meu silêncio e agradecer a todos as mensagens de apoio, que me têm sabido muito bem.

Talvez um dia destes eu consiga escrever alguma coisa que traduza de modo ao menos aproximado o que têm sido estes últimos dias, estas últimas semanas. Por enquanto, só me apetece aproveitar os poucos momentos de pausa para descansar e fazer festas ao gato.

rosas

noite de natal

IMG_20141224_213915 14 - 1

A foto da minha mãe foi tirada há uma ou duas horas, num quarto da enfermaria de cuidados paliativos. A do meu pai, há dois ou três dias, na sala de visitas da enfermaria de psiquiatria de agudos onde está internado. São, ambas, o símbolo do Natal deste ano.

Hoje fui visitar a minha mãe de manhã, e voltei agora à noite, para passar a noite de consoada com ela, embora cada um tenha jantado sozinho, ela bacalhau à Zé do Pipo, e eu bacalhau com natas (comprei uma travessa enorme, tenho bacalhau até ao ano novo!) Sem saber muito bem como a iria encontrar, levava um exemplar do livro de letras de fados. Como estava bem disposta, e praticamente recuperada em termos mentais, ofereci-lhe o livro. Ficou tão comovida. Foi a melhor prenda de Natal que dei em toda a minha vida.

E provavelmente este foi o melhor Natal da minha vida, ou pelo menos da minha memória. Descontando o facto de o meu pai nem se aperceber do significado da quadra, mas apercebo-me eu por ele. De repente, apenas o essencial interessava, nada mais. Ter tudo, é termos connosco aqueles que amamos, que amamos verdadeiramente, que amamos quando nos despimos do mundo e somos verdadeiros connosco próprios. Mesmo que seja só por um dia. Ou por uma noite.

Bom Natal para todos os amigos e leitores.