?

Log in

No account? Create an account

tempo
rosas
innersmile
14 - 1 IMG_20141122_222637

Na segunda-feira cheguei a casa, lanchei, preparei as coisas para ir à piscina, e deitei-me no sofá a ler. Comecei a ficar com frio, com dores nos músculos dos braços e das pernas, e a sentir uma indisposição intestinal. A temperatura a subir, mas sem febre. Não fui nadar, é claro; tomei um duche muito quente, comi duas torradas a aconchegar um leite quente, um brufen, e fui-me deitar. O gato, no seu melhor, saltou para cima de mim, a atacar-me as mãos e as pernas. Sentado na beira da cama, desatei a chorar.
Depois, ao longo da semana, tem sido sempre difícil. Na terça-feira ainda me senti um pouco febril, mas depois passou. Reuniões, contactos, entrevistas, muitas contas ao budget familiar, para tentar alterar a situação dos cuidadores dos meus pais: o actual arranjo já não resolve as necessidades deles. Entretanto, hoje de manhã, um telefonema anuncia que na segunda-feira tenho de levar o meu pai a uma consulta que talvez resulte num internamento temporário para, é assim que se designa, ‘férias dos cuidadores’. Cancelei os contactos, até esta possibilidade se clarificar, não vale a pena fazer outras alterações.
A possibilidade de internar o meu pai angustia-me. Apesar de tudo, ele ainda está muito presente, tem momentos racionais, responde e reage ao nosso convívio. Mas os períodos irracionais, as compulsões, e sobretudo as noites de vigília e agitação estão a dar cabo da minha mãe, que vai entrar num processo complicado. Na sexta-feira da semana passada, faz amanhã oito dias, houve finalmente uma decisão terapêutica. Como o hepato-carcinoma está muito disseminado e os nódulos muito grandes, e ela está muito frágil, não vale a pena fazer quimioterapia, mas apenas um acompanhamento paliativo, para a tentar manter com um mínimo de qualidade de vida, sem dores e sem grande fraqueza.
O gato continua a gostar de dormir em cima de mim, mas nota-se que está a crescer, e nem me estou a referir ao volume que ocupa no meu peito. Continua sempre atrás de mim, mas é mais quando quer brincar (ou seja, morder-me como um selvagem), comer, ou apenas companhia. Quando quer descansar já se afasta, mesmo durante a noite sai da minha cama e vai dormir para o ninho.