November 22nd, 2014

rosas

mike nichols

O primeiro filme de Mike Nichols, que faleceu esta semana, que me lembro de ver terá sido Silkwood, nos inícios dos anos 80, com a Meryl Streep, e que à época foi muito popular por participar de um dos debates mais acesos na opinião pública, o da energia nuclear e sua segurança. O último foi seguramente o último que realizou, Charlie Wilson’s War, uma sátira política com Tom Hanks, Julia Roberts e Philip Seymour Hoffman, no ambiente da intervenção militar americana no Afeganistão. Os dois filmes baseados em histórias reais, e ambos com mensagens políticas muito marcadas.

Entre eles, vi muitos filmes do realizador que me marcaram e que não esqueci, alguns deles anteriores a Silkwood, como o primeiro filme que fez, e que hoje é um clássico, Who’s Afraid of Virginia Wolf, tão famoso pela peça de Edward Albee que adapta, como pelo par de protagonistas, Elizabeth Taylor e Richard Burton. Outros filmes de Nichols que recordo, por exemplo Working Girl, The Birdcage, mais recentemente Closer, e na TV uma série também já clássica, Angels in America.

Mas o ‘meu’ filme de Mike Nichols é sem sombra de dúvida The Graduate, de 1967, uma história de amor proibido entre um jovem estudante universitário, desempenhado por Dustin Hoffman, e a mãe da sua namorada, um papelão da Anne Bancroft que, desde esse filme, ficou sempre uma das minhas actrizes favoritas.

Vi o filme pela primeira vez na televisão inglesa, em 1984, e desde aí revi-o um número incontável de vezes, sobretudo no auge do meu período de consumidor ávido de cinema em dvd. Mas já conhecia o filme desde há muitos anos antes, através da banda sonora da autoria de Paul Simon e interpretada por Simon & Garfunkel, cujo disco, um LP, tive em casa durante muitos anos e acabei por, contrariado, devolvê-lo ao dono.

A popularidade do filme, na época em que saiu, deveu muito ao tema escandaloso, mas hoje são evidentes muitas das suas qualidades, nomeadamente a forma como capta um certo ennui da juventude cujo antídoto é uma atracção irresistível pelo perigo e pelo proibido. A gestão da narrativa, os diálogos com arestas muito agudas, o magnífico trabalho dos actores e a eficácia poderosa das personagens, a fotografia, em particular o contraste entre o azul da piscina e os óculos escuros de Ben, são outras marcas inesquecíveis do filme.

E, claro as canções de Paul Simon, como The Sound of Silence, que é uma obra-prima, Scarborough Fair ou April Come She Will. E sobretudo Mrs. Robinson, a canção que, diz a lenda, era para ser sobre Eleanor Roosevelt, e cuja letra é tão inspiradora, de tal forma parece conter tantas promessas de ficção. Eu que o diga, que já escrevi uma série de histórias todas inspiradas na canção e no filme de Mike Nichols.